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Resenha: Part The Second (2009)

Álbum de Maudlin of the Well

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Beleza constante de um rock poderoso e de melancolia assombrosa

Por: Tiago Meneses

25/06/2020

Já começo essa resenha com uma informação bastante importante sobre Part the Second, trata-se de um disco financiado completamente por fãs, onde o resultado não poderia ter sido melhor, com a banda mostrando que cada centavo acabou sendo revertido em uma música da mais alta qualidade. O único problema que pode ser encontrado aqui talvez seja o fato de ser um disco mais curto que os anteriores, mas ouvi-los em loop é uma ótima experiência também, cada uma mostrando novos detalhes desta musica tão rica apresentada. 

Um agradecimento aos que doaram e outro para os que produziram e, claro, um agradecimento meu como ouvinte, de poder desfrutar de algo tão musicalmente rico e bem feito. Uma coisa tem que ficar claro, isto não tem muito a ver com o que a banda havia feito nos seus dois excelentes discos anteriores. 

“An Excerpt from 6,000,000,000,000 Miles Before the First, or, Revisitation of the Blue Ghost” é uma faixa de nome bastante curioso pelo seu tamanho, sendo também a que abre o disco. De sonoridade compreensível e acessível, a faixa apresenta um trabalho belíssimo de guitarra e também de bateria, que é transposto por ótimas linhas de violino que considero ainda melhores. Eu como amante de ótimos refrãos, não deixaria de elogiar o desta música. Costumo ter da opinião de que a faixa tem muito mais uma veia de pós-rock do que aquilo que podemos esperar quando se trata de músicas da banda. Pouco depois da metade a música se divide em um excelente ritmo através de adoráveis trabalhos de piano e guitarra. Algo que vai se seguindo até o final da faixa. O fim é algo inevitável, mas de tão agradável eu ficaria ouvindo essa parte por horas. 

“Another Excerpt: Keep Light Near You, Even When Dying” mostra que apesar do álbum ter começado maravilhosamente bem, as coisas ainda poderia melhorar. Certamente uma das mais belas criações da banda. Teclados e violino abrem a faixa de forma brilhante. Particularmente eu considero esta faixa uma espécie de labirinto musical bastante difícil de descrever. Uma música praticamente toda instrumental, sendo que é fácil entender o motivo, pois é difícil de imaginar muitos vocais se encaixando nela. Quando tudo vai seguindo de forma muito bem estruturada, a guitarra entra de forma brutal e trituradora. Quando o solo acaba, chega uma voz e fala em volume baixo algumas coisas indecifráveis. Algumas palmas aparecem por baixo das linhas de baixo e violoncelo em um ritmo complexo, as falas indecifráveis regressam e tudo continua até o fim através de uma bela voz solitária. 

“Rose Quartz Turning to Glass” abre com mais um trabalho brilhante de violino, valorizado por cordas sobrepostas e que deixa o resultado memorável. O que vem em seguida é uma jornada clássica de uma orquestra de experimentação musical incrivelmente calma e serena. Se o ouvinte estiver sentindo falta de uma sonoridade que volte às raízes da banda, isso acontece mais ou menos no meio da faixa. É chegada uma abordagem genuína da música da banda, através de um excelente ritmo de bateria e guitarra, além de vocais e sintetizadores igualmente agradáveis. Entre todos os instrumentos, o trabalho de guitarra é o mais brilhante. 

“Clover Garland Island” faz com que o alto nível do disco até o momento se mantenha intacto. Começa através de algumas explosões musicais, mas logo muda pra um estilo onde a guitarra lidera. Os vocais aqui estão no mesmo estilo que nos discos anteriores da banda. O riff que acompanha essa música é estranho e imprevisível por cerca de dois minutos, quando então marcam uma mudança com ótimas harmonias vocais. Este momento não pode ser definido como algo menos do que brilhante. Possui também mais um excelente trabalho de guitarra que transpõe as sempre exuberantes seções de cordas e uma bateria jazzística. 

“Laboratories of the Invisible World (Rollerskating the Cosmic Palmistric Postborder)”, começa em um ritmo de guitarra limpo e minimalista. Uma criação na linha de um space rock da melhor qualidade e de vocais encantadores. A música flutua em um trabalho de guitarra primoroso. É então que tudo se transforma em algo mais na linha pós-metal. Desaparecendo por alguns segundos para voltar em seguida com uma enxurrada de riff interessantes, mas que podem não dizer nada ao ouvinte comum. As muitas texturas e emoções musicais nessa faixa são não menos do que brilhantes. Há um momento em que a faixa atinge um ótimo riff de sonoridade musical vanguardista, tocados em guitarras afinadas e aplicações futuras, deixando o resultado bastante interessante. O último minuto da faixa fica por conta de um trabalho solo de piano da música, “Keep the Light Near”, um fim grandioso para o disco. 

O que dizer de um disco deste? Sem dúvida um dos maiores discos de rock progressivos deste século. Uma criação de vários momentos de beleza constante, sendo intercalados com várias situações dissonantes, além de um rock poderoso e de melancolia assombrosa. Apesar de já impressionar logo na primeira audição, leva tempo para descobrir tantos detalhes escondidos que fazem deste disco do tipo que podemos ouvir repetidamente sem enjoar.

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