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Resenha: Virus (2020)

Álbum de Haken

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Deleite-se na audição e aproveite ao máximo a experiência

Autor: Marcio Alexandre

22/06/2020

O Haken pegou à todos seus apreciadores de surpresa quando alguns meses atrás divulgou uma nova música e também o lançamento de um novo trabalho para este ano. Se trata do disco "Virus", nome no mínimo curioso para um trabalho em 2020, que chega pela InsideOut Music. Este novo disco traz um apanhado da carreira da banda até aqui, e dono de uma produção impecável, sendo este o sexto de estúdio e colocando a banda num rumo bastante interessante e soando agressiva, precisa, sem perder um mínimo de identidade e com um disco impecável e indo muito além de seus últimos dois trabalhos. 

"Prosthetic, já conhecida do público sendo o primeiro single divulgado, abre com um desfile de riffs e agressividade. A bateria de Raymond Hearne é agressiva e casa perfeitamente com a grande presença de um baixo extremamente marcante de Conner Green num introdução de dar inveja à muito medalhão do prog que já se propôs a soar pesado em outros momentos. Ross Jennings traz seu vocal característico e mesmo com seus tons suaves, consegue funcionar com perfeição na canção. As passagens ganham mais peso no andamento e passagens climáticas que criam um ambiente denso. E que final é aquele, o bate cabeça tá garantido! Ótima abertura. 

Seguindo, "Invasion" começa mais branda e aos poucos vai ganhando corpo e uma progressão certeira, explodindo num refrão insano, carregado de emoção. E que groove hein pessoal! Mas as surpresas não param aí, em sua metade a canção ganha uma passagem de extremo peso, lembrando aquelas insanidade que o Meshuggah faz em suas músicas, dando uma força espetacular no som! É simplesmente uma obra de arte o que esses caras criaram nessa canção, particularmente minha favorita do disco. 

"Carousel" continua mantendo a qualidade e como o faz com maestria. Aqui o Haken mais tradicional surge, o que lógico, é maravilhoso. A canção tem um andamento que lembra o clássico da banda, "Pareidolia". A faixa é um deleite na veia mais prog do grupo e de extrema inspiração, principalmente dos guitarristas Richard Henshall e Charles Grifftiths, que trabalham momentos mais pesados e outros mais brandos, que carregam o ouvinte numa viagem e numa verdadeira montanha russa sonora e que delicia estar dentro disso tudo. São dez minutos incríveis! Uma trinca de abertura de dar inveja, absurda e de gente grande! 

Sem perder tempo "The Strain", vem mais branda lembrando a banda lá dos ótimos "Aquarius" e "Visions". E que puta refrão temos nessa hora. O amadurecimento da banda pega o que eles já faziam e consegue levar à um nível mais alto e é lindo de ver como Ross tem domínio total nessas levadas mais brandas e climáticas, suas voz transmite uma calmaria e paz. O mesmo acontece com "Canary Yellow", outro single do disco e que já chega emendando o som e notem o que falo sobre o vocalista no refrão dessa faixa, como sua voz se sobressai e consegue fácil ser o destaque nessas duas faixas. Lindas e maravilhosas de curtir!

A próxima faixa é uma switch de 17 minutos, "Messiah Complex", que é dividida em 5 partes. "Ivory Tower", "A Glutton for Punishment", "Marigold", "The Sect" e "Ectobius Rex". Aqui como esperado, vemos várias passagens intrincadas com tempos malucos, principalmente na segunda parte, que é a mais complexa delas, começando numa fúria de técnica e os músicos gastando tudo o que tem em seus instrumentos e mudanças de andamento a toda hora, e sendo minha parte favorita, a quarta, que usa da sobreposições de vozes como a banda já usou em outros momentos e um solo um tanto intricado que não irei revelar aqui para não estragar a surpresa do ouvinte. E Hearne, tu é gênio meu filho!

Encerrando, "Only Stars", que é bastante calma para encerrar de forma tranquila toda a porradaria feita até ali e faz de forma graciosa, delicada e marcante, pontuando de forma corretíssima. 

Infelizmente, "Virus" irá demorar um pouco mais para chegar ao público, pois seu lançamento que deveria ser no dia 5 de junho, devido a pandemia acabou sendo jogado para uma nova data, que será em 10 de julho. Mas acredite, a espera vai valer muito a pena. Os caras entregaram um trabalho espetacular, de muito bom gosto e recheado de surpresas, com muita técnica, lotado de inspiração e muito música de qualidade. Deleite-se na audição e aproveite ao máximo a experiência.

Formação:
Ross Jennings - Vocais 
Richard Henshall - Guitarra e teclados
Charles Griffiths - Guitarra 
Conner Green - Baixo 
Raymond Hearne - Bateria 
Diego Tejeida - Teclados

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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