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Resenha: Together We Are One (2004)

Álbum de The O’Jays

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Álbum vítima de 171

Por: Roberto Rillo Bíscaro

19/06/2020

Hoje, a forma mais fácil de apresentar The O’Jays é indicar o tema de abertura d’O Aprendiz.
Formado ainda nos 50’s, The O’Jays foi muito popular na primeira metade dos anos 70, produzindo clássicos funk, disco e Phily Soul. Nos 1980’s, com Kylie Minogue, fingíamos ter saudade de uma era que não vivemos, cantando a letra de Step Back In Time (remember the old days/remember the O’Jays).

Não acompanho de perto a carreira do trio remanescente Eddie Levert Sr., Walter Williams Sr. e Eric Nolan Grant, mas sei que ainda fazem shows. Só achei estranho, quando soube de um novo álbum lançado em junho, de 2018, por uma tal Music World Music. Vi apenas no feed do Soul Trax; muito pouco para os O’Jays. Algum órgão fora da bolha geralmente noticia quando grande tem material novo, mesmo que o artista esteja no ocaso.

Too Imagine constava das novidades do Spotify, mas não confio nas datas deles. Tanto álbum com ano errado e discografia esburacada! Escutei alguns segundos da faixa de abertura e já coloquei na fila.

Na mesma manhã, um email adicional do Soul Trax elucidou o mistério. Too Imagine é maracutaia do selo; os O’Jays nem sabiam do material. Especialistas no grupo afirmam que músicas de um álbum chamado Together We Are One (2004) foram rebatizadas; vai vendo a picaretagem.

Como esse álbum (pra variar) não tem no Spotify, nem deu pra checar tudo, mas no Youtube encontrei vídeo velhusquinho de uma canção chamada Together We Are One, que nada mais é do que a tal faixa de abertura da qual ouvi alguns segundos e já adicionei à minha lista. Em Too Imagine ela simplesmente se chama We Are One.

Deixo aos advogados do grupo a discussão ética e os eventuais prejuízos de rapinagem financeira de direitos autorias e integridade.
 Tirante tudo isso, Too Imagine é uma delícia pra amantes da soul music de fim dos anos 70/início dos 80, onde localizava-se o baú donde as 11 canções estavam guardadas. São apenas baladas, que, tendo sido produzidas na época, apresentam todos os maneirismos e convenções de produção de então. Sonoridade da bateria, linhas melódicas nos teclados, a própria construção das canções: o refrão de Promisses arrancará lágrimas de coroas de meia-idade que amavam música lenta entre os anos 78 a 83.

Exceto pelo jazz aveludado anos 1950 de When Sunny Gets Blue (que a gravadora não teve coragem de alterar o título porque é standard), o restante do material flutua em alguma sub-variante do pop ou urban soul romântico. Algumas faixas com vocais mais delicados, como Too Pretty For Words, mas a maioria com aquela saudável competição pra ver quem grita e dramatiza mais. Então, é show de harmonia vocal linda em faixas como Your Place Or Mine, Can’t Live Without It, Invitation ou Last Time.

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