Para os que respiram música assim como nós


Resenha: Crises (1983)

Álbum de Mike Oldfield

Acessos: 250


Crises prova que a mistura do pop com o prog pode funcionar muito bem

Por: Tiago Meneses

18/06/2020

Crises quando foi lançado, era uma nítida tentativa de ampliar o público de Mike Oldfield. O álbum é composto por um lado de músicas de durações comuns e o outro lado do disco apresenta somente uma faixa de vinte minutos que é principalmente instrumental. 

As faixas curtas são todas elas no mínimo decentes, com apelo pop, mas não abrindo mão de soar de certa forma até divertidas em alguns pontos. "Moonlight Shadow", por exemplo, chegou a fazer um grande sucesso em alguns países e soa até melhor do que muita coisa que fez muito sucesso nos anos oitenta. "Mistake" é uma música que só está presente na versão do disco lançado na America do Norte e poderia também facilmente ter sido outro sucesso nas rádios dos anos oitenta. "In High Places” logo no começo, apresenta uma voz que qualquer ouvinte amador de rock progressivo vai conhecer, Jon Anderson é o vocalista aqui, considero esta uma das melhores músicas da carreira de Mike entre as que levam vocais. "Foreign Affair" é de uma sonoridade muito agradável, assim como aconteceu em Moonlight, os vocais ficam por conta da voz doce de Maggie Reilly. Possui uma ambientação musical melindrosa, criando uma atmosfera mágica. “Taurus 3” é uma faixa instrumental de trabalho de violão e guitarra sensacional, uma pena que seja uma faixa tão curta, inclusive há um momento dela em que parece o usado por Oldfield no disco Return to Ommadawn, mais precisamente na parte dois, mas isso é outro assunto. O outro convidado do disco para assumir os vocais é Roger Chapman. Uma música bastante assombrosa e o momento mais sem graça do disco. Mas apesar de não ser interessante, ao menos é bem produzida e o som é ótimo, o que se certa forma ajuda um pouco. 

Mas é obvio que ao falarmos do destaque do disco, estamos falando da faixa título, “Crises”. Ela é quase que totalmente instrumental, quase, pois ainda existem alguns vocais – que acho desnecessários – do próprio Mike. Inclusive ele não é um cantor ruim, então se é era pra cantar, não sei por que e ele não cantou mais, muito provável para que o ouvinte pudesse se concentrar naquilo que ele faz de melhor, ou seja, belíssimas instrumentações. Em “Crises” o ouvinte encontra tudo aquilo que torna o músico famoso, excelente instrumentação, composição, mudanças de humor, um equilíbrio excelente de sons e instrumentos com ritmos interessantes por toda a parte. Consistente do começo ao fim, a considero tão essencial quanto qualquer uma das grandes músicas de Mike como, "Ommadawn", "Tubular Bells" ou "Hergest Ridge".

As músicas mais pop do disco apresentam uma variedade suficiente para manter as coisas interessantes. Após a popularidade de Crises, Mike lançaria um disco para tentar copiar o seu sucesso, chamado, Discovery, mas infelizmente esse álbum falha em quase todos os aspectos por causa da baixa produção e qualidade do som e de todas as músicas pop desinteressantes, exceto por apenas um instrumento de 12 minutos – mas falo mais dele em uma resenha futura sobre o próprio. Crises é a prova que a mistura de pop e progressivo pode funcionar muito bem. No fim das contas, o disco não é essencial, pois somente a faixa título carrega essa medalha, porem, ainda assim é muito bom.

As publicações de textos e vídeos no site do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do respectivo autor


Compartilhar

Comentar via Facebook

IMPORTANTE: Comentários agressivos serão removidos. Comente, opine, concorde e/ou discorde educadamente.
Lembre-se que o site do 80 Minutos é um espaço gratuito e aberto para que o autor possa dar a sua opinião. E você tem total liberdade para fazer o mesmo, desde que seja de maneira respeitosa.