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Resenha: Young Lions (1990)

Álbum de Adrian Belew

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Muito bom nas extremidades + Núcleo ruim = Disco mediano

Por: Tiago Meneses

18/06/2020

Este disco foi certamente uma das tentativas de Adrian Belew de produzir uma música pop e acessível. Foi lançado em 1990, ano em que o King Crimson se encontrava em um dos seus períodos sabáticos. Durante este período, Belew também trabalhou como guitarrista principal dos shows do David Bowie. Estre alguns bons momentos e outros nem tanto, Young Lions é um daqueles álbuns que podem ser facilmente na melhor das hipóteses, um tanto questionáveis. 

“Young Lions” é a faixa título e também a que abre os trabalhos do álbum. De sonoridade pop e que serve muito bem como uma abertura de disco. Não há muito a dizer mais sobre. “Pretty Pink Rose" foi escrita por David Bowie, sendo que o camaleão também canta os refrãos da música, uma ótima surpresa que se deve muito provável pela proximidade dos músicos naquela época. “Heartbeat” é uma música gravada originalmente pelo King Crimson para o disco Beat de 1982. Tem uma batida pop que soa muito bem, principalmente se considerarmos que foi feita para o rádio. Até aqui não tem muita coisa pra questionar no disco, mas infelizmente ainda tem muita coisa pra vir. 

“Looking for a U.F.O” é o tipo de música que pode ser definida em poucas palavras como uma vergonha completa. Ritmo pop irritante e de letras toscas, tudo soa sem qualquer tipo de sentimento, mas o pior que as coisas não tendem a melhorar muito. “I Am What I Am”, cheia de palavras faladas e que poderia tirar de proveito ao menos um solo de guitarra se não fosse justamente essas vozes junto. “Not Alone Anymore” é um cover da The Traveling Wilburys, logo, a música é boa, assim como o cover – que parece ser um pouco mais rápido -, mas também não vá esperando algo de mais. 

“Men In Helicopters” é uma música de boa mensagem, certamente traz uma ligeira melhora em relação ao que o rumo que o disco estava tomando, soando bem menos forçada que as três faixas anteriores. Bom trabalho durante o intervalo instrumental com os demais instrumentos. “Small World” é uma música sem graça e sem inspiração. Possui uma harmonização em muitos tambores que não dizem muita coisa. Não sei, mas parece que Adrian quis soar igual ao Peter Gabriel e falhou miseravelmente. Às vezes acho que eu prefiro ouvir a versão da Disney de “It's a Small World After All”, mas acho que seria exagero. “Phone Call From The Moon” tem um bom trabalho de guitarra, bastante influenciado pela pegada jazzística de Robin Trower, dentro do que é o disco, pode ser visto tranquilamente como um dos destaques. Então que para a nossa alegria David Bowie retorna para participar da última faixa do disco, “Gunman”. Serve pra mostrar que apesar do disco não funcionar muito bem, Adrian continua a ser um músico de bastante talento, a guitarra é excelente, algo que você pode esperar em um disco do King Crimson ou nos melhores álbuns de Belew. 

Se o disco tivesse a qualidade apresentada no começo e principalmente na sua última faixa, certamente não teria como enxergar Young Lions como algo inferior a muito bom, problema que de uma ponta a outra existem verdadeiras atrocidades. Então entre o muito bom dos extremos e as desastrosas encontradas em seu núcleo, o saldo é mediano – no máximo – e não mais que isso.

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