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Resenha: A Saucerful Of Secrets (1968)

Álbum de Pink Floyd

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Compondo seus valores

Por: Fábio Arthur

17/06/2020

A sequência da discografia do Floyd trouxe esse exemplo de ótimo gosto e sonoridade impecável. Um anos após seu debute, o grupo chegou com algumas nuances motivadas por um conceito menos moderado em um padrão de outrora e moveu-se por caminhos mais promissores. O psicodélico, com o chamado de Space Rock, é fortalecido nesse implemento e norteia todo o trabalho de forma absoluta e abrangente.

Nessa fase, a banda estava em um dilema pessoal com os problemas enfrentados com Syd Barret - e o músico entrou e saiu durante o processo todo -, esse fato moldou os caminhos do grupo e gerou novas expectativas. E esse fator marca de forma única a participação de cinco integrantes a figurarem o casting da banda. 

Duas canções foram representadas em forma de singles e a banda, que vinha de um álbum de estreia forte, teve que andar conforme a gravadora queria e essa por sua vez pressionava o grupo para mais um disco de sucesso, principalmente nos USA. 

A banda chegou a tocar como quinteto, mas Barret estava sendo imprevisível e Gilmour já estava com o posto dentro do grupo. No estúdio aonde gravaram, o famoso Abbey Road, a banda deixou apenas uma canção com cinco integrantes ao mesmo tempo, que fora "Set the Control for the Heart of the Sun" e essa seria uma das melhores representações do "novo" Floyd e do disco em si.

A arte do disco foi a primeira obra elaborado do grupo com a Hipgnosis e a EMI permitiu assim, pela segunda vez, uma empresa de artes para elaborar trabalhos de seus contratados, os primeiros foram os Beatles. 

Nick Mason diria certa vez que esse seria seu álbum predileto do Floyd, mas na época a banda não conseguiu de fato se superar como no primeiro, ainda assim a banda já havia conquistado fãs na Europa e nos EUA, também. A história é longa, entre músicos contratados, colaborações em faixas, músicas deixadas de lado, participações de Syd e músicas sem a sua presença, marcam esse álbum como uma investida de forma em acentuar a carreira do grupo sem soar perdida. O trabalho chegou na nona posição no Reino Unido, e assim mostrou que estavam no caminho certo. 

"Let There be More Light" introduz o ouvinte em um apanhando emotivo e com as nuances de vozes entre as linhas do baixo de Waters com uma sutileza divina, ótima canção de fato. "Remember a Day" segue uma linha deliciosa e complementa de forma única a audição. "A Saucerful of Secrets" se move em quatro partes e nela a banda começa com o flerte viajante e progressivo e a mesma acaba sendo uma pequena suíte. "See Saw" mantém um lado suavizado e tem uma letra interessante, e em "Jugband Blues", a obra de Barret figura de forma a fechar o trabalho e de fato a despedida do mesmo, mas mostra o conteúdo magnífico do músico.

Esse álbum acaba sendo um dos pontos altos também da discografia do grupo, e soou melhor do que outros que vieram depois. Tinha um apelo de época, mas logicamente soa datado, mas ainda sim brilhante.

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