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Resenha: Hot Space (1982)

Álbum de Queen

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Enunciado

Autor: Fábio Arthur

16/06/2020

Vítima de seu próprio sucesso ou realmente a vontade de impor uma nova direção? Isso é o que ficou sobre esse álbum "Hot Space" e, quem diria que a banda teria uma mudança tão radical e  chegar ao ponto de destoar de todo seu contexto usual. 

Entre outros fatos, este disco detém a marca de não menos de que nove singles e o forte rítmico do álbum vem na linha R&B, Pop, Soul, New Wave e pouco do Rock clássico do grupo. Por causa da canção "Another One Bites the Dust", com seu imponente alarde nos EUA, trouxe a vontade do grupo de se enveredar por essa vertente ainda mais. 

Por sorte, um dos pontos altos fora a faixa "Under Pressure", gravada com David Bowie, que estava no estúdio na época e assim a canção chegou em número 1 nas paradas mundiais, o que trouxe um desconforto menor durante a divulgação do trabalho. O álbum traz uma feita entre a bateria eletrônica e o flerte com sintetizadores em demasia. Segundo consta, Brian May não aceitava a condição do álbum novo do grupo e, entre outros por menores, Mercury vivia nas baladas no período e assim deixando um pouco o grupo de lado. Óbvio que o Queen era gigante naquele momento, mas a coisa rumou para uma direção oposta em se tratando de mídia e dos fãs.

Talvez um dos pontos mais dançantes do álbum, ou de vertente Dance Music, fosse a faixa "Back Chat", mas mesmo assim, o disco compreende em um apanhado com essas vertentes. Em "Body Language" não existe guitarra e soa bem diferente do som da banda original. "Action this Day", de autoria de Roger, movimenta um swing alarmado por uma fonte de balanços modernos de época e cai no conceito moda com imersão total ao novo. "Life is Real" é uma homenagem de Mercury para Lennon e traz uma interpretação voraz e uma melodia gostosa, um dos momentos mais amplos da obra. Em "Las Palavras de Amor", temos uma homenagem do grupo para os fãs de origem espanhola, movimenta uma voz inserida com arranjos sóbrios e consegue soar bonita além de sua letra belíssima. "Cool Cat", toda elaborada por Deacon e tocada pelo mesmo, até chegar na programação de bateria eletrônica, trouxe os backings removidos de  Mercury e também houve a desistência de Bowie na voz como apoio. "Staying Power" foi tocada na turnê, mas era mais crua durante sua execução e em seu composto ela traz sopros entre suas melodias. Por fim, "Dancer" não mantém o baixo normal em sua gravação e sim um elemento pré-gravado por sintetizadores.

Não desgosto desse álbum. De fato, eu o ouvi em 1984 e assim senti uma diferença brutal do que era a banda anterior, mas acredito eu que ele surte um efeito de época que não é de todo ruim e sim diferenciado.

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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