Para os que respiram música assim como nós


Resenha: Presence (1976)

Álbum de Led Zeppelin

Acessos: 146


Um bom disco, mas abaixo do padrão Led Zeppelin de qualidade

Autor: Tiago Meneses

16/06/2020

Dentro do meu campo de avaliação, Presence é sem dúvida alguma o disco mais fraco do Led Zeppelin, embora ainda tenha ótimas faixas, sendo inclusive uma delas a minha preferida entre todas as faixas do catálogo do grupo. Depois de uma série simplesmente avassaladora de discos, dos quais muitos – ou todos eles – se transformariam em clássicos essenciais do rock, parece que o Led Zeppelin finalmente estava soando de forma menos inspiradas, digamos assim. A banda estava vindo do épico de dois discos, Physical Graffiti, sendo que desta vez, era possível ver que eles não pareciam tão ambiciosos. Ao invés disso, o que a banda fez foi apresentar uma coleção de faixas blues que na maioria das vezes soam como uma espécie de lado b sem muita riqueza. Claro que estamos diante do Led Zeppelin em essência, e mesmo não nos deparemos com o mesmo tipo de arte e complexidade que qualquer um dos registros anteriores, existe material bom para que aja pelo menos uma boa investigação no material. 

Algo que acontece de interessante neste disco e só fiquei sabendo muito tempo depois é o fato de Robert Plant ter gravado seus vocais para o disco em uma cadeira de roda, pois estava se recuperando de um acidente. Ironicamente o seu vocal é o aspecto mais forte dentro da sonoridade do álbum. Com exceção de duas faixas – que mais na frente eu falo quais – eu considero a musicalidade do disco algo bastante reto, de blues e hard rock, com um pouco de groove. Talvez tudo isso que eu disse já fosse o suficiente para que tudo funcione bem, né? Seria, mas no geral apesar de todos tocarem muito bem, falta tato de composição para realmente impressionar. 

As duas músicas que eu disse que considero como destaques de fato do disco são, “Achilles Last Stand” e “Nobody's Fault but Mine”. ‘Achilles Last Stand” além de ser um destaque no disco é minha música preferida do Led. Um mini épico que apresenta uma guitarra rítmica galopante não muito diferente das que os Iron Maiden usariam alguns poucos anos depois. “Nobody's Fault but Mine” é uma faixa bem conhecida do disco. Possui melodias vocais cativantes e um groove que embora não seja incrível quanto os apresentados em outrora, até que funciona bem. 

Presence é decepcionante? Talvez decepcionante seja uma palavra muito forte, mas ele não entrega aquilo que a banda havia entregado em seus discos anteriores. Um bom disco, mas abaixo do padrão Led Zeppelin de qualidade.

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


Compartilhe:

Comente: