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Resenha: Station To Station (1976)

Álbum de David Bowie

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Station to Station é um dos trabalhos mais apaixonados de David Bowie

Autor: Tiago Meneses

13/06/2020

Um verdadeiro clássico na rica discografia de David Bowie. Manteve as linhas soul e funk do disco anterior, Young Americans, mas novamente acrescentando uma nova direção no seu trabalho. Já mostra que um grande álbum estar pra ser tocado ao ouvirmos sua faixa homônima, a maior composição de estúdio já feita pelo músico, canção conhecida por ser a que Bowie canta em sua participação no filme, "Eu, Christiane F. 13 Anos, Drogada e Prostituída" quando ela vai ao seu show.  Filme horroroso, mas isso não vem ao caso. 

O disco abre justamente com a clássica “Station To Station”. Conta com pouco mais de dez minutos e é uma verdadeira viagem ao mundo do rock e alguns sons descolados. A dupla de guitarra trabalha extremamente bem, me soa até familiar a algo, mas não consigo me recordar o que. David aqui está apresentando o seu último personagem, Thin White Duke. A segunda parte da música é mais repetitiva e longa – algo que poderia ser ruim, mas não é -. No geral a música passa por uma série de movimentos distintos que são ótimos individualmente, mas ainda melhores como um todo.

“Golden Years” possui uma batida legal e dançante, uma conotação funk ou até meio country americano com violão e baixo liderando a seção rítmica. Os vocais de Bowie em alguns pontos parecem estar meio estressantes, isso inclusive de certa forma me faz lembrar um pouco Talking Heads. Uma música suave e que no fim mostra ser mais rica do que ela sugere ser inicialmente. 

“Word On A Wing” tem o título de momento mais emocional do álbum. Vocais sinceros e crus, belo piano e arranjos de cordas – mellotron - ao fundo. Podemos ouvir uma guitarra chorando a distância. Trabalho de piano bastante animado e adorável – sei que falei dele, mas merecia ser mencionado ao menos mais uma vez -. Esta música de certa forma parece pertencer a um período anterior da carreira de Bowie, Hunky Dory talvez. 

“TVC 15” começa já com umas ideias excelentes ao piano acompanhado por algumas vocalizações de Bowie dando à música uma aura cheia de atitude. O trabalho de guitarra novamente em ótimas camadas tornam o fundo musical sempre ocupado. Tem um clima de rock clássico e se move muito bem. Possui uma conclusão bastante rica, com um ótimo coro e cheia de excelência. 

“Stay” já começa dando a entender que será uma música com um trabalho intenso de guitarra, além de uma percussão sólida – inclusive parece ter uma influência latina. Aparentemente é bastante direta, mas parece existir um mellotron em segundo plano e alguns vocais clínicos. Confesso que já considerei este o momento fraco do disco, mas com o tempo passei a enxergá-la como algo que funciona bem e tem química com as demais faixas. Pra ser mais honesto, os seus dois minutos finais de um rock clássico e simples sempre me empolga bastante. 

“Wild is the Wind” na verdade é um tributo para uma música composta em 1957 por Dimitri Tiomkin and Ned Washington. Um ajuste perfeito para dar um ar mais retrô e que a deixasse com uma cara mais parecida com a década de que a música foi criada. Uma balada sombria e um pouco opressiva, onde a guitarra desempenha um papel dominante. Não tem nenhum momento grandioso em termos instrumentais, mas encerra o disco de forma hipnotizante e bonita. 

Depois te tantos anos desde o seu lançamento, Station to Station é conhecido – e por méritos – como um dos melhores e mais importante discos do camaleão, pois ele marca a porta de entrada a um dos seus períodos mais influentes e criativos. Também considero este disco essencial, por possuir algumas sonoridades influentes até mesmo para o punk e o pos-punk, sem mencionar várias bandas de new wave e glam rock no futuro.

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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