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Resenha: Suffocating The Bloom (1992)

Álbum de Echolyn

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Diversidade e uma demonstração de criatividade surpreendente

Autor: Tiago Meneses

12/06/2020

Lançado apenas um ano após o seu disco de estreia, Suffocating The Bloom é o segundo e certamente um dos maiores feitos musicais da banda estadunidense. Trata-se de uma obra grandiosa da música progressiva em qualquer uma das definições que você queira considera-la. Entre alguns dos estilos que podem ser claramente notados aqui, certamente que um deles é o do Gentle Giant, inclusive a banda soa mais eclética e menos sinfônica que eu achava que soaria antes de ouvi-la pela primeira vez. O que também não quer dizer que não existem essas partes no álbum, principalmente influenciada pelo Yes. Falando em relação somente a qualidade da música, sem dúvida estamos diante de um disco de primeira grandeza, mas mesmo assim o álbum também tem suas falhas, a produção não soa muito bem pra mim, principalmente por achar que o baixo fica escondido demais durante praticamente todo o disco. Outro ponto que não gosto muito, não chega a ser necessariamente uma falha, mas mais uma espécie de opinião pessoal. O álbum abrange dois conjuntos de músicas, onde o primeiro conjunto compreende da faixa 1 até a faixa 10, e o outro uma epopeia  que compreende 11 movimentos chamado “A Suite For The Everyman”. Esta segunda parte ficaria melhor se não fosse cortada com cada parte numerando um lugar diferente no CD. Sou das pessoas que preferem épicos ocupando somente um espaço digital – por maior que seja -, como, por exemplo, "Close to The Edge" do Yes ou "Supper's Ready” do Genesis. 

O que torna este disco tão especial é a forma como as músicas dele conseguem ter suas influências e soar de forma tão única ao mesmo tempo. E isso acontece desde a faixa de abertura até a última parte do épico. Apesar de eu ter falado que existe muito do estilo do Gentle Giant, o disco não apresenta nenhum segmento que esteja ao menos próximo de qualquer música do Gentle Giant. Podemos pegar como exemplo a faixa de abertura do álbum com o seu estilo bastante energético, ela possui um estilo único, além de ser construída de maneira dinâmica. “Every Garden” é uma faixa mais suave, mas não é difícil de encontrar uma bela inserção musical e dinâmica pelo seu enérgico trabalho de bateria. “A Little Nonsense” é daquele tipo de música que não tem como absorver tanta informação com somente uma audição. Extremamente bem trabalhada, cheia de energia e virtuosismo musical. Apesar de se mover de forma bastante imprevisível, não deixa com que as ligações de suas partes soem de forma incoerente. O coro também é maravilhoso. “The Sentimental Chain” possui apenas cerca de um minuto e meio, mas também vale uma menção, com ótimos trabalhos de cordas, violão, flauta, oboé e violino. 

Obviamente que não tem como falar deste disco e não falar sobre “A Suite For The Everyman” e os seus quase trinta minutos. Chamar isso de algo inferior do que obra-prima é de uma injustiça tremenda.  Uma combinação de diferentes estilos de musicais em uma direção quase sempre imprevisível – o que deixa tudo melhor ainda. Não era de espanto algum se eu gostasse da música logo na primeira audição, mas de certa forma houve um espanto, pois não achei que ela se movesse de forma tão abrupta. Mas eles também podiam facilmente manter uma transição suave de um segmento para o outro e também de um movimento para o outro. Conforme a música vai se desenvolvendo, por mais que não seja mais novidade, parece inacreditável o que estes caras estão fazendo, uma composição musical de níveis estratosféricos. "Bearing Down", o terceiro segmento, certamente é mais um dos momentos que lembram bastante Gentle Giant, porém, em um ritmo relativamente mais rápido e movimentos musicais inesperados. "Mr Oxy Moron" tem uma narrativa divertida e uma performance cheia de múltiplas melodias e estruturas complexas. "Cannoning in B Major” possui menos de dois minutos, com uma mudança repentina na linha musical do disco, mostra uma sonoridade de marcha, fazendo lembrar até um pouco de “The Battle of Epping Forest” do Genesis, a faixa move-se para “Picture Perfect” que com os seus menos de um minuto, serve como ponte para “Those That Want To Buy”, mais um momento de muita técnica e musicalidade de primeira grandeza, até meio jazzístico. A faixa título é o nome também do movimento que encerra a suíte e o CD. Um encerramento muito lindo, suave, combinando muito bem vocal, violão, seções de cordas e percussão. Excelente fim de disco. 

No geral, um progressivo muito bem executado e complexo, com sensibilidades modernas do rock e a quantidade certa de cativação. Certamente um dos melhores discos de progressivo dos anos 90.

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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