Para os que respiram música assim como nós


Resenha: Return To The Center Of The Earth (1999)

Álbum de Rick Wakeman

Acessos: 419


Um retorno muito bom ao centro da Terra

Autor: Tiago Meneses

11/06/2020

Quando eu ouvi falar da existência de Return to the Centre of the Earth, não tínhamos informações tão fáceis como hoje em que basta um clique e já estamos ouvindo o disco em algumas das várias plataformas em que ele se encontrar disponível, ou mesmo baixa-lo a hora que quiser. Lembro que fiquei bastante curioso, mas também senti um pouco de medo de que Wakeman tivesse criado algo relacionado à Journey to the Center of the Earth, unicamente para jogar um monte de referências musicais explícitas à sua obra de 1974 e nada de novo. No fim das contas, ele parecia está realmente mais interessado em voltar as suas raízes, algo que seus fãs agradeceriam. Logo de cara vi algo que dava credibilidade ao disco, a narração ficou por conta de Patrick Stewart, isso foi um ponto relevante que dei a Wakeman antes mesmo de ouvir o disco.  

Devo confessar que quando falamos de um disco do Rick Wakeman, nomes como o de Ozzy Osbourne e Bonnie Tyler não são exatamente os que iremos esperar ler nos créditos. Mas bastou uma pequena audição no disco pra perceber que ele estava apontando para a direção certa. "The Return Overture" tirou todas as minhas dúvidas e me tranquilizou de qualquer medo, o trabalho da London Symphony Orchestra e o English Chamber Choir são perfeitos. Ao mesmo tempo em que estamos diante de uma música original, ela conseguiu manter todo o espirito pomposo da composição original. A primeira utilização de moog foi o suficiente para perceber que Wakeman estava de volta. 

Return To The Centre of the Earth conta a história de três exploradores que buscam refazer os passos do intrépido viajante de Verne, o professor Lidenbrock. Ele teve problemas ao tentar seguir o caminho, depois de ler o manuscrito do alquimista islandês Arne Saknussemm. Esses três caras, dois séculos depois dessa descoberta, voltam ao caminho da expedição original e embarcam em outra aventura fantástica. 

Não existe crítica completa à este disco sem que fosse mencionado a performance impressionante de Wakeman em “Dance of the Thousand Lights”, uma verdadeira joia que consegue manter a London Symphony Orchestra em segundo plano para aprimorar a excelente melodia sem ocultar a apresentação majestosa de Wakeman. 

Não vou chegar aqui e dizer que o disco atinge um grau de perfeição, pois ele tem sim suas derrapagens em músicas defeituosas, onde um bom exemplo está em “Still Watters Run Deep”, que apesar de possuir um belo coro, não diz absolutamente nada. O melhor do disco, Rick deixa para o final através de “The End Of The Return”, ainda mais elaborada que a “Overture”, é uma faixa simplesmente sensacional através de belíssima orquestração, coral forte e um virtuosismo de Wakeman na medida certa. 

O disco tem os seus momentos de faixas comuns e que carece de inspiração, o excesso de narração também não ajudou muito. Mas sobre a narração também existe um ponto positivo, Patrick Stewart tem uma voz infinitamente superior em relação a de Ashley Holt. No fim das contas, apesar de alguns momentos de brilhantismo fora de série, outros não empolgam, deixando-o um trabalho muito bom, mas que poderia ter sido melhor. Mas dentro de uma coleção de Wakeman, o considero obrigatório.

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


Compartilhe:

Comente: