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Resenha: Street Survivors (1977)

Álbum de Lynyrd Skynyrd

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A formação clássica em uma despedida brilhante

Autor: Tiago Meneses

11/06/2020

Acho que quando vamos falar de uma banda como o Lynyrd Skynyrd, não creio que seja necessário maiores apresentações, todo mundo no fim das contas já ouviu falar da banda, sejam aqueles fãs mais obstinados ou aquelas pessoas que preferem nutrir uma certa implicância com a banda por terem – ou terem tido – fama de sulistas brigões. Street Survivors marca um triste episódio na história da banda, pois se trata do último disco com a sua formação clássica, antes do infame e trágico acidente de avião no Mississipi e que teve como vítimas fatais, Ronnie Van Zant (vocalista), Steve Gaines (guitarrista), Cassie Gaines (backing vocal) e Dean Kilpatrick (assistente gerente). Muitos o consideram inclusive o melhor disco da banda, bom, eu acho difícil escolher o melhor desta fase, pois a banda parecia não errar nunca, mas Street Survivors é certamente o disco mais diversificado. 

“What's Your Name", música de abertura do disco é extremamente cativante. Costumo dizer que a banda deveria adotar ela como abertura de todos os seus concertos, pois este é o tipo de astral que ela carrega, ou seja, o de que a festa está só começando. Uma produção bastante cristalina. Esta faixa tem um desenho tão simples, que você pode reconhecer no primeiro segundo se já ouviu ela outro momento, e mesmo se nunca ouviu, vai achar que já escutou em algum lugar. “That Smell” é uma das minhas músicas preferidas entre todas do catálogo da banda. Ela de certa forma – dentro do que é a banda – é um pouco mais sombria do que as músicas da banda costuma ser, creio que isso deve-se muito ao seu conhecido conteúdo lírico, baseado em um incidente envolvendo Gary Rossington, que dirigia sob a influência de uma grande quantidade de álcool e desmaiou ao volante e bateu em uma árvore – quase morreu inclusive. Adoro os solos de guitarra desta música, assim como o uso das backing vocal nos refrãos que faz com que os versos ganhem mais força. 

"One More Time" apesar de aparecer somente no quinto disco da banda, eu fiquei sabendo que se trata de uma das composições mais antigas do grupo. É uma música lenta e adiciona uma grande diversidade ao primeiro lado do disco. O refrão, assim como aconteceu na faixa anterior, também tem a companhia de um coro (sendo este mais estridente).  Novamente um ótimo solo de guitarra acrescenta grande doçura à faixa. "I Know a Little" é a faixa mais curta da primeira parte do álbum – com quase o mesmo tamanho de “What's Your Name". Após à cadencia devagar da faixa anterior, aqui a banda coloca o álbum em uma velocidade ainda não atingida. Apesar de o começo parecer algo típico da banda, de repente eles entram em uma linha bem mais big band. Mais uma faixa de desenho diferente e inesperado. 

“You Got That Right” já deixa evidente que a segunda metade do disco será tão boa quanto a primeira. Mais uma vez a banda nos brinda com uma atmosfera bastante otimista em seu som. Ainda que inferior a faixas como a "What's Your Name" e "I Know a Little", ela consegue manter o fluxo muito bem desenvolvido do disco desde o início. "I Never Dreamed" é algo que a banda sabe fazer muito bem, ou seja, uma balada introspectiva. Introspecção principalmente de Ronnie, que na época lidava com a banda e o nascimento de sua filha, uma responsabilidade a mais. "Honky Tonk Night Time Man" é a penúltima faixa do disco e se trata de um cover da banda para o som originalmente gravado pelo cantor country americano, Merle Haggard. A música em si é excelente, mas já vi alguns comentários sobre ela e que eu devo concordar, o fato de não parecer se conectar bem com as demais faixas do disco - mas no fim, isso também é um problema irrisório -. “Ain't No Good Life” encerra o disco da mesma maneira que ele começou, ou seja,  bastante otimista, com a diferença que aqui eles escolheram seguir por uma linha mais blues. 

Se existe algo que trouxe um efeito positivo para a banda, esse algo certamente foi a inclusão do guitarrista Steve Gaines. Parece que com ele, o músico também trouxe mais confiança para os demais. Ainda que não tenha sido proposital, Street Survivors trata-se de uma incrível despedida desta formação que mesmo que em pouco tempo, conseguiu construir uma história musical que ainda hoje é, e pra sempre será lembrada. Se lá no início da resenha eu tinha dúvida sobre este ser o melhor disco da banda, após duas audições tirei a conclusão que estamos sim, diante do seu melhor feito.

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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