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Resenha: The Battle Rages On... (1993)

Álbum de Deep Purple

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O fim da MK II

Autor: André Luiz Paiz

09/06/2020

Após alguns obstáculos no caminho do Deep Purplo ne final da década de 80 e início da de 90, foi necessário sacudir a poeira, colocar os egos de lado e novamente voltar a pensar como uma banda. Assim, foi dado início a produção de "The Battle Rages On...", com Ian Gillan de volta para encerrar a última gravação da MKII. A intenção ainda era seguir sem Gillan e com Mike DiMeo, do Riot, mas acabou que não deu certo. Até Joe Lynn Turner estava cotado para permanecer, mas também acabou demitido.

"The Battle Rages On..." traz nitidamente mais dedicação por parte dos membros envolvidos, embora ainda sim tenha desagradado Ritchie Blackmore, tanto que o guitarrista deixou a turnê em um determinado período e foi substituído por Joe Satriani. Mesmo assim, aqui temos algo que nos faz lembrar do Purple diferenciado que foi na maioria dos seus trabalhos. Bons riffs de guitarras, faixas que se diferem umas das outras e bons momentos. Do lado negativo, algumas ideias não foram tão bem trabalhadas e simplesmente não fixam, independente do quanto você as ouça.

São dez faixas e começamos com a ótima "The Battle Rages On", que já traz estampada a diferença musical dos dois álbuns anteriores. Bons riffs e excelente cadência. A guitarra de Blackmore permanece destaque em "Lick It Up", outra que gosto bastante pela melodia mais hard. "Anya" é seguramente um dos pontos altos do disco, principalmente pelo riff perfeito, daqueles que grudam na mente como nos bons tempos. E além disso, há peso. E Ritchie segue brilhando com seus riffs grudentos também com "Talk About Love", que não brilha tanto mas não decepciona. E a primeira metade é encerrada com o single "Time to Kill", que traz o lado mais melódico do grupo, outro bom acerto.
Começamos a segunda metade com ótimas linhas de teclado de Jon Lord em "Ramshackle Man", uma faixa com boa levada. "A Twist in the Tale" é o Purple tentando acelerar as coisas em uma música que soa fabricada, embora destaque a técnica de Paice. Nada demais. "Nasty Piece of Work" traz um tema mais denso e cadenciado, conduzido pelos teclados de Lord. Uma faixa que acaba soando cansativa. "Solitaire" vai também pelo mesmo caminho e não consegue brilhar. Por fim, "One Man's Meat" fecha a segunda parte com um bom riff de guitarra e nos fazendo concluir que temos aqui um disco com boas ideias, uma dedicação extra e várias fillers.

Se você não fizer comparações com os álbuns clássicos, conseguirá deduzir que "The Battle Rages On..." possui seus bons momentos e é muito melhor que seus dois antecessores. Para mim, vale a audição e valeu também o esforço do grupo e tentar continuar até que não fosse realmente possível. Ah, e tente também não comparar o Gillan daqui com aquele dos anos 70.

Depois de "The Battle Rages On...", Blackmore cansou de vez. Desistiu de tentar tomar seus companheiros e ditar sozinho como a banda deveria soar. Assim, chegava ao fim a formação clássica conhecida como MKII. Ritchie saiu e o Purple recebeu seu novo membro, o então ex-Dixie Dregs e ex-Kansas: Steve Morse. Talentoso guitarrista e que lida até hoje com certa rejeição dos adoradores da fase clássica.

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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