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Resenha: World Painted Blood (2009)

Álbum de Slayer

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O legado de Jeff

Por: Fábio Arthur

09/06/2020

A marca do Slayer está inevitavelmente dentro do cenário metal. O grupo é adorado e sempre se manteve fazendo um som de peso, mesmo quando sua direção mudou para o lado mais moderno. Em "World Painted Blood" não seria diferente, e sim, o disco caminho ainda mais para o metal de outrora; era o que todos esperavam em muito tempo.

Produção de Rick Rubin em um nível que me deixou insatisfeito, por demasia, a obra em si vale o quanto se propõe. Último disco com Hanneman e aqui ainda temos Lombardo sem os seus devidos e chatos falatórios e sim executando uma bateria de fato, chegando a lembrar os velhos tempos. Ou seja, parecia que a banda estava em uma boa fase de novo.

Três singles lançados e alguns vídeos, sete das faixas são de Jeff e a turnê seria muito promissora em vários sentidos. A recepção foi tamanha que elevou os padrões críticos que teceram elogios enormes ao grupo, e assim foram levados até o Grammy para concorrer em categoria Metal - o que de fato eu acredito ser uma balela, nenhuma banda de metal, necessita de alguma mídia para dizer se ela merece um prêmio ou não, deixe isso para outras vertentes. Assim, Slayer estava consolidado novamente e fadado ao seu final de carreira próximo. 

Após a tour e com problemas com Jeff vindo a ficar bem sérios, pouco tempo depois Lombardo seria demitido de uma vez por todas. A banda obteve até mesmo críticos dizendo que o álbum era o novo "Season in the Abyss", o que não concordo nem um pouco. 

O disco agrada, eu como fã - daqueles que compraram tudo e fizeram até tatuagem do grupo -, me senti em uma balança, o disco crescia em meu conceito e depois eu analisava de forma rígida e a famosa dúvida vinha com tudo e sem retorno. 

Já pela arte de capa, não gostei e me atrevo a dizer que o Slayer precisava ao menos de algo sanguinolento no contexto. Como nunca fui um fã cego em nenhum de meus artistas preferidos, eu, quando na primeira audição, adorei a a abertura com a canção título, World Painted Blood. Depois, me surpreendi com Unit 731 e Snuff, que agradou em cheio. Beauty Trough Order, obra que desanda sem dó, e Hate Worldwide me deixa inconformado com tamanho refrão enjoativo em uma batida já manjada, enfim, duas perdas de tempo total. Human Strain começou agradar novamente, pois, antes dela, o disco continuava sendo obsoleto com a faixa Public Display of Dismemberment e Americon, com sua letra forte e que traz um som mais aceitável e com um pé no som mais simples e cru, que ainda se assemelha a uma faixa até mesmo bem elaborada em amplo sentido, mas obviamente com ressalvas também. Com um vocal rasgado e desesperado, Araya nos brinda com Psychopathy Red, puro Slayer, sujo e abusivo em uma variável certeira. Playing with Dolls, com a temática forte, traz em clima de som, o óbvio, e Not of this God fecha como uma canção muito boa, com elementos sóbrios e deixa a vontade de analisar o porquê tanta mistura em um álbum que mantém a divisão de ora verdadeiro e em outro a mudança radical de padrão.

A questão seria de que, quando se faz algo em uma certa linha, todo o trabalho flui daquela maneira por igual. Mas, quando há uma mescla, tira a chance de ser um impacto perfeito.

Imagino que muito fã ame esse trabalho e outros, como eu, ficam em cima do muro.

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