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Resenha: Light At The End Of The Tunnel (1996)

Álbum de Ajalon

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Muito fraco. Não existe nem mesmo uma luz no fim do túnel.

Autor: Tiago Meneses

09/06/2020

Este disco de estreia da Ajalon não traz absolutamente nada de atrativo, infelizmente não existe nem mesmo uma luz no fim do túnel – como dito no título do álbum - para podermos falar que salva o álbum de um desperdício total. Se a banda tem influência em bandas como Yes e Genesis – como eles mesmos falam - sinceramente, eles poderiam explorar melhor isso, pois eu não consegui notar onde estar esta conexão – e eu nem estou dizendo que não existe, mas eu de fato não consegui captar. Talvez seja mais fácil de encontrar um pouco de Kansas. 

A questão das letras serem de uma tendência cristã nunca me incomodou, tanto que Neal Morse – que inclusive participa do segundo disco da banda – tem inúmeros discos que eu acho sensacionais. Problema é que apesar do som ser uma tentativa de neo progressivo/sinfônico, as faixas são todas monótonas e parecem seguir um formato enjoativo. Os vocais são até muito bom pra esse disco, sensíveis e de boa musicalidade, problema que o álbum não é exatamente aquilo que a princípio a gente esperava que fosse. 

Light At The End Of The Tunnel é bastante nivelado em termos de doçura e profundidade extremamente rasa, mas quando eu falo rasa é rasa mesmo, não é pouca coisa. O que poderia ser concebido como uma espécie de tributo sério às já citadas Yes e Genesis, além de Kansas e Marilion, no fim das contas é um exemplar de música pífia e de tudo que pode dar de errado na construção de um disco destes moldes quando não bem direcionado. 

Sabe o que faz com que bandas clássicas como o Yes e o Genesis sejam não apenas lembradas, mas celebrados até hoje? Porque através de muita personalidade, eles foram capazes de misturar uma instrumentação complexa sem perder em momento algum o tato para transmitir também emoções calorosas. Que fique claro que estou dando os exemplos, mas a banda nem mesmo tem a obrigação de soar parecida com essas duas citadas, o problema maior mesmo está na música da Ajalon ter um gosto de isopor, sem complexidade e traz zero comoção. Talvez a banda não soasse tão fora do lugar se tocasse em encontros de jovens ou recitais de igreja. Sabe o que deixa as coisas mais tristes? Não estamos diante de músicos ruins, muito pelo contrário, porém, tudo soa extremamente morno e unidimensional, fica parecendo que apesar de terem potencial, ninguém se esforçou em momento algum para que fosse entregue um trabalho instrumental interessante. A sonoridade da guitarra não tem muita diferença dos tons limpos utilizados em músicas pop no geral feitas para um público adolescente. Os teclados que sempre são bastante acionados em bandas do gênero, aqui são apenas caricaturas ao invés de uma representação honesta do que costumam e deveriam ser. 

Falando mais uma vez sobre os vocais de Wil Henderson, se trata muito provavelmente do aspecto mais forte da banda. Quando sua voz está mais baixa, alguns momentos pode haver uma comparação com Steve Hogarth, sendo capaz de liderar a maioria das músicas de uma maneira passável, digamos assim. As letras como eu disse, eu não me importo em serem cristãs, mas vale mencionar que parecem que elas foram feitas apenas para apaziguar os seguidores da religião ou para converter desafortunadamente os fãs de progressivo que não carregam Deus com eles. 

No fim das contas, estamos diante de um disco que não consegue melhorar conforme aconteça mais audição, muito pelo contrário, a cada audição apenas confirma o quanto o disco não tem nada de especial a oferecer. Sinceramente, a única diferença entre a primeira e as outras vezes que o escutamos, é que na primeira ainda temos a esperança de surgir a tal luz no fim do túnel.

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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