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Resenha: Side Two (2005)

Álbum de Adrian Belew

Acessos: 192


Menos caótico, mas não menos experimental ou mais acessível

Por: Tiago Meneses

06/06/2020

Então que chegamos agora em Side Two e como o nome sugere, a segunda parte da trilogia criada por Adrian Belew em 2005/2006. Novamente o músico cuida de quase tudo sozinho, tocando todos os instrumentos, além de desempenhar todos os trabalhos vocais. Algo importante a ser dito é que se em Side One foi concentrado uma energia bruta e sólida de instrumentos reais e muito pouco eletrônicos, em Side Two é possível ver mais uso de instrumentos eletrônicos. 

“Dead Dog On Aspahalt” é a faixa que inicia o disco e que já reflete a obra de arte da capa do disco. A capa foi pintada por Belew a partir da inspiração que ele teve após atropelar acidentalmente um cachorro enquanto dirigia seu caminhão. A música em si possui ótimos trabalhos de guitarra, combinados com teclados e componentes eletrônicos. “I Wish I Knew” é uma música muito mais sombria e estranha, além de ser bem mais pesada no uso de loops. Os vocais são bastante tensos e repetem o nome da faixa de uma maneira até meio assustadora. “Face To Face” faz com que o ritmo do disco aumente mais uma vez, mas mantendo esse ritmo mais automático, de forma mais direta do que acontecia no disco anterior. Bastante cativante e interessante e possui um trabalho de guitarra típico de Belew. 

Assim como aconteceu com Side One, as faixas não são muito longas e mesmo que este tenha uma faixa a mais, ainda assim o tempo é basicamente o mesmo. “Asleep” em meio a tudo isso é a faixa mais longa do disco, mesmo assim, tem pouco menos do que cinco minutos. A faixa se baseia em uma linha de baixo furtiva e repetitiva, porém, muito bem cercada por um fraseado exclusivo de Belew. Na última metade da faixa entra um pouco de experimentalismo, uma criação de sons atmosféricos e espacial, quando a faixa regressa, volta com o mesmo ritmo, mas sendo marcada por uma batida a menos. Já próximo do fim a faixa ganha violino e violoncelo, sendo tocados por Peter Hyrka e Gary Tussing, respectivamente. “Sex Nerve” apresenta um som mais suave e traz efeitos eletrônicos mais repetidos, mas mesmo assim não deixa de dar liberdade pra guitarra. Uma canção de temática um tanto sensual. “Then What” logo de cara mostra elementos eletrônicos malucos e uma guitarra meio espacial. Considero esse som algo bastante interessante principalmente pra quem gosta de Radiohead – que não é o meu caso. 

“Quicksand” é uma música que soa um pouco parecido com “Man with an Open Heart” do King Crimson, tendo como diferença um acréscimo maior de elementos eletrônicos entre os movimentos de guitarra. “I Know Now” é uma faixa curta feita para guitarra, meio pesada e que soa de maneira livre sobre uma percussão programada. “Happiness” é mais uma faixa curta – menos de dois minutos – que soa como se instrumentos felizes e brilhantes tivessem sido trazidos para o lado distorcido de uma entidade musical maligna com sons de caixas dissonantes e coisas do tipo. “Sunlight” é a faixa de encerramento do disco. Começa com uma percussão eletrônica e loops sobrepostos com uma improvisação mais complexa. Tem um som leve e arejado. 

De certa forma, considero este disco um pouco mais coeso que Side One, que foi forte nos seus dois primeiros terços, mas acabou perdendo o foco. O som é menos caótico que o primeiro álbum, mas não menos experimental e não mais acessível. Talvez isso possa decepcionar algumas pessoas, mas ainda é ótimo e permanece mais uniforme o tempo todo. Porém, a mesma falha encontrada em Side One, permanece aqui, ou seja, se trata de um disco curto demais. Mas de qualquer maneira, o saldo é positivo e o disco é ótimo.

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