Para os que respiram música assim como nós


Resenha: Side One (2004)

Álbum de Adrian Belew

Acessos: 184


No fim, ótimo, mas poderia ser ainda melhor

Por: Tiago Meneses

06/06/2020

No ano de 1996 Adrian fez uma pausa na carreira solo, para assim, ficar mais fácil de continuar o seu trabalho ao lado do King Crimson. Mas acontece que logo depois da gravação do disco Power to Believe, a banda entraria novamente em um hiato, com isso, Adrian se viu novamente em condições favoráveis para seguir de maneira solo. One é o seu décimo terceiro disco. Lançado em 2005, é a primeira parte de uma trilogia. Este disco também é conhecido por ter a participação de Les Claypool e Danny Carey (Tool) em suas três primeiras faixas. Estas três primeiras músicas facilitam uma espécie de transição entre o som do Crimson e o seu, um estilo de tocar bastante alto, quase de forma abstrata e bastante eclética, além de uns grooves pesados. 

O álbum começa com a faixa, “Ampersand”, um rock pesado e complexo feito por músicos de primeira linha. Existe na música uma base de rock and roll que definitivamente se destaca, mesmo com as camadas pesadas de guitarra, baixo e bateria, além de alguns vocais em camadas em cima de tudo. Possui um final barulhento e até mesmo caótico. 

“Writing On The Wall” já começa bastante animada, divertida e combinando esse clima com a estranheza da guitarra de Belew, além de um baixo pulsante de Claypol e a bateria sólida de Carey. Ouvir isso faz o ouvinte querer que os três tivessem formado de fato um supergrupo, mas infelizmente, eles só estão juntos em 1/3 do disco. Uma faixa cheia de loucura, mas sem deixar de ser legal.

“Matchless Man” é onde está o último momento com esse trio maravilhoso tocando junto. Mais relaxante, a tabla é suave e a guitarra parece até um violino, enquanto isso a linha de baixo é meio jazzística. Possui uma atmosfera misteriosa e até meio bizarra. Poderia facilmente ser uma música do King Crimson. 

Antes de ouvir a quarta faixa, o ouvinte certamente vai se perguntar como Belew vai fazer com que o disco prossiga ainda interessante, mesmo sem a formação de supergrupo inicial. “Madness” é a quarta faixa e segue o disco com Adrian soltando sua sonoridade média e pesada de guitarra, enquanto que ele mesmo fornece o baixo e bateria nesta faixa completamente instrumental. “Madness” se trata de uma faixa inspirada no compositor armênio, Aram Khachaturian, possui algumas linhas instrumentais bastante complexas, além de barulho e ressonância. O ritmo da música é proporcionado por uma constante, além de sólida e moderada batida, menção também para o baixo robusto e a guitarra zangada. É a faixa mais longa do álbum, atingido quase sete minutos. Adrian prova que ele sozinho pode ser um supergrupo.

“Walk Around The World”, aqui Adrian assume a postura de banda de um homem só. Usa uma combinação única, com Adrian utilizando dos seus vocais, guitarra funkeada e sonoridade complexa. Considero a adição repentina de alguns graves através de fortes linhas de baixo algo muito bom, e ajuda a manter a faixa interessante. 

“Beat Box Guitar” foi indicada ao Grammy em 2005 na categoria de “Melhor Performance Instrumental do Rock, mas não venceu. Essa faixa é bastante legal e apresenta muitos efeitos, além de ter uma batida acessível e agradável. A faixa permanece na “mesmice” durante um tempo, com riffs e efeitos de guitarra junto de uma bateria suave, então que na última sessão da faixa a bateria fica mais encorpada e a guitarra explode com muita personalidade. Um som verdadeiramente brilhante. 

O último terço do disco é de longe o mais curto do álbum, duas faixas com menos de dois minutos e uma delas com pouco mais de dois. “Under the Radar” é uma música limpa e atmosférica , com uma boa melodia  vocal de influência psicodélica. “Elephants” começa com o locutor da BBC, Ian Wallace, sendo que depois Belew usa a sua guitarra pra imitar um elefante raivoso, enquanto que são ditas algumas frases salpicadas. Entre os sons agitados e a “Pause” o disco termina com uns efeitos sonoros assustadores, seguido por um som de violino, mas muito provavelmente sendo feito por Belew na guitarra mesmo. E tudo desaparece. 

As últimas três faixas do disco são ok, mas às vezes parece que elas foram experiências forçadas para que One pudesse ser considerado um disco e não um EP. Considero esta talvez a única falha desse álbum, pois antes delas, estamos diante de um disco praticamente sem falhas. Porém, embora seja ótimo o experimentalismo das faixas curtas, dentro do álbum não parecem se encaixar bem com as demais peças, e isso faz parece que se trata de uma extensão ruim. No fim, ótimo, mas poderia ser mais ainda.

As publicações de textos e vídeos no site do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do respectivo autor


Compartilhar

Comentar via Facebook

IMPORTANTE: Comentários agressivos serão removidos. Comente, opine, concorde e/ou discorde educadamente.
Lembre-se que o site do 80 Minutos é um espaço gratuito e aberto para que o autor possa dar a sua opinião. E você tem total liberdade para fazer o mesmo, desde que seja de maneira respeitosa.