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Resenha: Tell You What I Know (2014)

Álbum de JJ Thames

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Estrela ascendente no firmamento do blues

Por: Roberto Rillo Bíscaro

06/06/2020

JJ Thames nasceu na Motowniana Detroit, mas faz um som super Delta do Mississippi, com influxo de soul music e pitada bem de leve de pop. Sua biografia é cheia de lances-pratos-cheios para a construção da figura da cantora sentida de blues: morou em abrigo para sem-teto com os filhos, já cantou no metrô de Nova York, teve que largar a carreira para ganhar trocados como gerente de restaurante para sustentar os guris. Enfim, a ainda jovem JJ já demonstra na rica voz a carga de poucas e boas por que tem passado.

Longe dos badalados centros musicais de LA e NYC, JJ Thames vive em Jackson, Mississippi e grava pela independente Dechamp Records, por isso não frequenta a mídia grande, mas nos sites de blues e blogosfera alternativa, já é considerada forte promessa de dama.

Em abril de 2014, estreou no mundo fonográfico com Tell You What I Know, cuja faixa-título encerra em tom autobiográfico um álbum composto de blues e souls lentos, em sua maioria. A abertura, Souled Out, não deixa dúvidas sobre a história de e tradição na qual Thames se insere: mencionando Motown (Detroit) e Mississippi e dizendo que contará sua história, a cantora já mostra do que é vocalmente capaz num gospel, sucedido por Hey You, bluesão com gaita rasgada e tudo, daqueles que dá para entender bem porque o rock veio dessa matriz. A sexy I Got What You Need também tem gaita envenenada e é rhythm’n’blues com banjo, o que dá gostinho bluegrass no fundo. My Kinda Man é soul, cuja letra é meio estranha em 2016, por se inserir na tradição da adoração ampla, total e irrestrita pelo soberano macho. Mas, tudo bem, deve ser só postura estética, considerando-se a bio de JJ Thames. Can You Let Somebody Else Be Strong é linda balada gospel, enquanto I’Ma Make It tem seu espírito funk no blues. Tell You What I Know é visceral sem exagerar na gritaria (e JJ Thames tem tórax para isso) e mistura diversos elementos de black music sem soar datado, porque a produção é moderna, mas talvez cru demais para púbico estritamente pop.

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