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Resenha: In The City Of Angels (1988)

Álbum de Jon Anderson

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O disco de uma canção...

Autor: Marcel Z. Dio

04/06/2020

Aí está um álbum que deu muita sopa nos sebos do Brasil, preço camarada e a estampa de um homem que dispensa comentários, ou simplesmente o vocalista do YES. Ótimo, não? Só que é ai que mora o perigo, pois In the City of Angels só concentra impacto no hit Hold on to Love, O clássico pop de refrão ganchudo e favorável para se ouvir a qualquer momento. Coisas que os saudosos anos oitenta preservava, sons que todos curtem sem o mínimo esforço, beirando o prazer verdadeiro. Ainda sobre ela, teve um vídeo com a participação de Chris Squire no baixo acústico. Foi só uma aparição, porque não tocou sequer uma nota no álbum, o baixo é mesmo de Jimmy Haslip.
Portanto, Hold on to Love agarra pela perna e te puxa para o restante com bom marketing fonográfico. Após o impacto inicial, a canseira e a mediocridade tomam forma para abraçar o restante, que é conferido uma vez e mesmo com uma série de convidados de peso, pode ser jogado no armário do esquecimento.

Triste dizer, amo esse cara, mas, Anderson nunca me tapeou com sua carreira solo, faço justiça a Olias of Sunhillow e Song of Seven, após, perdeu a graça quando partiu para a world music ou sons étnicos "concentrados", leia-se : chatice sem procedentes. Ainda que parte tenha salvamento em seus projetos com Vangelis, a carreira solo é bem irregular.
Na era do pop, Jon Anderson comete um disco banho maria e entupido de preguiça. If It Wasn't For Love tem um bom ritmo de salsa reggae ou algo do tipo, porem, é mais interessante beber cerveja sem álcool que perder quatro minutos com isso. 
Algumas peças ainda mantem um ritmo esperto com temas de sax, outras são baladinhas inofensivas que jogam a intenção de Anderson no ralo. 

Top of the World tenta buscar forças em sua fase com Vangelis, e  também fracassa. Existem guitarras de rock, e são conteúdos que Trevor Rabin tocaria sentado em uma rede, praticando sem a menor vontade, apenas preparadas pra fechar lacunas. Nem o peso médio das guitarras de Betcha conseguem enganar, pois pega um crescimento rock sinth pop e adiciona um sax fajuta da escola Sadao Watanabe. 

"New Civilization" tem algo que agrada por ser mais acelerada, também com coros agradáveis de crianças, passando da nota média.
Agora, se você conhece a história deste álbum, pode estar pensando: "oh, esse cara sabe que esse não é realmente um álbum que tentou ser Yes", e por isso virou um pastiche pop sem alma, fazendo até mesmo o conteste Big Generator ser um diamante dentro do rock.

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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