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Resenha: Slaves And Masters (1990)

Álbum de Deep Purple

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Purple Rainbow

Autor: André Luiz Paiz

03/06/2020

Enquanto as complicações de "The House Of Blue Light" causaram um novo afastamento de Ian Gillan do Deep Purple, Ritchie Blackmore, que já vinha mudando a sonoridade do Rainbow após a saída do saudoso Dio, resolveu transformar uma banda na outra. E para deixar ainda mais característico, trouxe até o mesmo vocalista. Foi assim que Joe Lynn Turner foi parar no Purple e registrou o seu único trabalho com o grupo.

Um pouco mais no passado, ainda nos anos 70, Dio e Blackmore rompiam enquanto divergiam na abordagem que o grupo deveria inserir em suas músicas. Enquanto Dio queria fazer metal, Blackmore queria suavizar as coisas, partindo para algo mais hard rock ou AOR. Dio saiu, Graham Bonnet passou pelo grupo e depois veio Turner para segurar o microfone. Com ele, as intenções do guitarrista ficaram bem claras na nova sonoridade da banda. O tempo passou, Blackmore voltou ao Purple, veio "Perfect Strangers", "The House Of Blue Light" - que já mostrava sinais de mudança - e enfim "Slaves And Masters", o disco mais AOR do grupo. Pra se ter uma ideia, foi cogitado o grande e saudoso Jimi Jamison (Survivor) antes de Turner assumir os vocais em definitivo.

Primeiramente, preciso dizer que adoro hard rock e AOR, e a minha crítica não é ao estilo musical escolhido pelo grupo. Mas, o que temos aqui é, infelizmente, um peixe fora d'água. Turner é um grande vocalista e fez bem a sua parte, um trabalho bastante competente. O problema é que, o que temos aqui, não é o que se espera do Purple. É a mesma frustração sentida quando o Rush começou a suavizar demais as coisas com "Hold The Fire". São poucos momentos de causar arrepios em "Slaves And Masters" como foi no passado, principalmente em termos de feeling e inspiração. Estamos falando de uma banda que criou obras como "Smoke On The Water", "Burn", "Highway Star" e "Highball Shooter". Não é comparar o novo com o velho, pois são outros tempos, mas, se a banda quer trazer algo diferente, precisa ser novamente marcante como foi.

São nove canções e pouco mais de quarenta e cinco minutos. Uma delas chegou a ser gravada também por Paul Rodgers e Kenney Jones para o projeto "The Law" e é possível ser encontrada em versões especiais. Trata-se de "Too Much Is Not Enough", um bom AOR. "Love Conquers All" é um dos singles e uma linda balada, mas novamente longe do que a banda já fez. E "King of Dreams" também foi single, faixa de abertura e que também merece atenção.
Seguindo adiante, "The Cut Runs Deep" é a segunda faixa e até funciona bem, carecendo apenas de um pouco mais de energia. Turner é o que mais se destaca aqui. Para os saudosos da fase setentista, "Fire In The Basement" trará um pouco daquela vibe e funciona bem. "Truth Hurts" só vale pelo solo de guitarra e "Breakfast In Bed" não diz a que veio, assim como a maçante "Fortuneteller". Por fim, o álbum é finalizado com "Wicked Ways", que levanta um pouco os ânimos e traz um certo alívio, em vários sentidos.

Ao contrário de "The House Of Blue Light", "Slaves And Masters" não foi bem nas paradas, o que causou novos problemas ao grupo. No final das contas, Tuener acabou saindo durante as sessões de "The Battle Rages On..." para um novo retorno de Ian Gillan, agora em definitivo. Seria o último voo da MK II.

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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