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Resenha: Sensitività (2013)

Álbum de La Coscienza Di Zeno

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A refinada sensibilidade prog italiana

Por: Roberto Rillo Bíscaro

02/06/2020

O genovês La Coscienza di Zeno (LCZ) existe desde 2007. Sonoridade, criatividade, excelência e até o nome (tirado dum romance psicanalítico) mantêm a tradição setentista do ítalo-prog em eloquente estilo. LCZ é obrigatório pra fãs de prog sinfônico com grandes momentos de drama e melodia e, embora longe de ser cópia, certamente agradará em cheio a quem ama Genesis da segunda metade dos 70’s. Há algo no timbre e textura dos teclados vintage (aqueles que parecem assobio ou lembram um coral) e da guitarra, além do próprio estilo de composição que lembram muito Tony Banks e Steve Hackett/Mike Rutherford.

La Citta di Dite abre o álbum, entregando o jogo: se o ouvinte não curtir a faixa, nem adianta prosseguir a audição, porque todos os elementos de Sensitivitá estão nela expostos. Piano clássico por um minuto, seguido de rajada de teclado, instrumental bombástico suportado por vocal dramático em italiano, guitarra plangente, mudança de andamento pra tons plangentes, nova alteração no andamento. Quase 7 minutos que enternecem e/ou fazem vibrar.

Os vocais em italiano de Alessio Calandriello são incríveis; derretem corações como no início Romântico da faixa-título ou na segunda parte de Tensegrita, que cita A Whiter Shade of Pale, do Procul Harum, o que significa que, por tabela, cita Bach. Mas, na primeira metade de Tensegrita a voz de Alessio empresta a energia necessária ao trecho.

Os quase 13 minutos de La Temperanza abrem com instrumental de orquestra de câmara, passam por realejo de parque de diversão antes de desabrocharem em deliciosa ciranda prog. Chiuza 1915 abre com teclado nervoso, vira ciranda de piano, intercala esses dois movimentos, vira linda balada de piano, atinge clímax emocional vocal pra pintar gélidas paisagens prog de segunda metade dos 70’s e ainda tem fôlego para um par mais de câmbios.  

Os 3 chatinhos minutos de Tenue, onde nada acontece, subtraem quase nada do brilhantismo deste álbum.

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