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Resenha: The House Of Blue Light (1987)

Álbum de Deep Purple

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Difícil de definir

Autor: André Luiz Paiz

01/06/2020

Esse álbum me lembrou quando a seleção brasileira da copa de 2006 foi montada com Ronaldinho Gaúcho, Ronaldo Fenômeno, Kaká e Adriano. Um timaço que não jogou nada e a comparação é bem similar aqui. Dá inclusive pra usar vários ditados em "The House Of Blue Light", como: "nem sempre o melhor time vence", ou "o trabalho duro supera o talento quando o talento não trabalha duro".

Após o retorno da MK II com o ótimo "Perfect Strangers", o Purple estava com a chapa quente, mas acabou deixando esfriar e demorou muito para lançar o álbum seguinte. Sem aquela vontade e dedicação de outrora, foram empurrando e enrolando para gravar e lançar "The House Of Blue Light", até que ele ficou sem pé nem cabeça. Os egos estavam inflados e era difícil para os membros impor as suas opiniões e negociar o que seria melhor para o grupo. Assim, Gillan chegou a dizer que a situação era similar ao momento de "Who Do We Think We Are".

Aqui nós temos um Deep Purple chegando próximo ao AOR, buscando as rádios, mas com canções simples e pouco empolgantes. Até conseguiu vender bem, mas os fãs de longa data ficaram bastante decepcionados.
Dois vídeos promocionais foram lançados para "Bad Attitude" e "Call of the Wild". A primeira é um bom hard, com sonoridade oitentista e bom vocal de Gillan, e "Call of the Wild" é exatamente o que acabei de mencionar em relação à sonoridade AOR. Pouca empolgação e pouco brilho.
Das que mais se destacam, gosto de "Mad dog", "Hard lovin' woman" e "Dead or alive", todas bom boa energia. Achei interessante também a levada de "The Unwritten Law" e a abordagem mais psicodélica de "Strangeways", apesar de achar a canção um pouco cansativa em alguns momentos. "Mitzi Dupree" também é uma das mais fracas, em um blues bem abaixo da média. "The spanish archer" - com algo do Rainbow - e "Black or white" também não brilham como poderiam.

Depois da confusão que virou este disco, Gillan foi dar uma volta e o Purple viria a lançar o seu primeiro e único trabalho com Joe Lynn Turner, o álbum "Slaves and Masters".

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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