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Resenha: Who Do We Think We Are (1973)

Álbum de Deep Purple

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Um álbum subestimado?

Autor: Marcel Z. Dio

30/05/2020

Esse é o álbum que marca o término da formação MK II nos anos setenta, mal avaliado por muitos e notadamente o mais "fraco" da formação. A questão da época pelas criticas ao seu redor, foram cabíveis, mas se olharmos pela linha do tempo em comparação a outros produtos lançados pelo Deep Purple, podemos arriscar a dizer que é um clássico, e ai fica pelo gosto do freguês.
Sobre a saída de Gillan e Glover após o disco, é chover no molhado repetir que Ritchie Blackmore foi a pedra no sapato, não só da dupla dispensada, como a pedra em todos que tiveram o "prazer" de trabalhar com ele. A tensão pairava no ar, e Ricardinho Maispreto ganhou a queda de braço dessa vez, mas ... como o mundo dá voltas, teve seu troco no futuro.
Who Do We Think We Are tem momentos memoráveis, só não é páreo a cruzar o caminho feito desde In Rock a Machine Head, do mais, é só conferir e divertir-se. 
 
Faixas :

Woman From Tokyo surgia forte e pulsante, com riffs de crueza selvagem. A partir daí, os teclados de Jon Lord adiantam a melodia vocal, para depois dobrar junto com Ian Gillan a explodir no ápice do refrão. Não temos um solo de Blackmore e sim um longo interlúdio, bastante usual nessa época, principalmente no disco Fireball. Fechada a segunda parte, voltamos com o refrão, agora pincelados com novos improvisos. 
A letra pode ser referente as aventuras de Ian Gillan no Japão, ou resumindo : algumas groupies que choveram em sua horta.

Com Mary Long percebemos licks de guitarras que seriam explorados futuramente no Rainbow. O gene do Deep Purple permanecia intacto em Mary Long, mesmo assim, não empolga. 

Super Troup apresenta um ótimo solo de Blackmore e uma estrutura rítmica levada a cabo até os tempos atuais do Deep Purple. Notem o chorus acoplado a um sistema Leslie com efeito semelhante a um flanger.

Aqui o jogo vira pra melhor na sensacional Smoth Dancer. A porta é chutada com os dois pés num riff viciante e acrescido de vocais selvagens. A linha de Gillan manda na canção, ajustando-se como guia para que os instrumentos a sigam. Quando ouvi Smoth Dancer em uma coletânea chamada Chronicles, senti que não teria volta com o Deep Purple, era pelo resto da vida.

Rat Bat Blue aposta em divisões rítmicas interessantes. E quem brilha pra valer é Jon Lord, primeiramente com um solo que transporta ao erudito, de frases ultra rápidas com timbres entre o harpsichord e cravo, assim permanece por alguns segundos até emendar a outro bom solo de timbre mais usual. Reparem que a levada de Rat Bat Blue é a essência do Deep Purple, e que a mesma é explorada até os tempos de Steve Morse, e mesmo com a modernidade empregada nos discos discos atuais, o formato mantem-se como marca registrada. Se quer entender o que é o Deep Purple, essa é a música chave.

Place in the Line é blues puro, escancarado mesmo !. Valendo-se de uma formula pra lá de manjada pela típica progressão blues, usada e copiada por todos. Todavia, Place the Line deixa de ser pedra bruta quando as intervenções de teclado lhe conferem outro brilho, como um produto criado na hora, ou melhor, uma jam session.

Na faixa Our Lady reconhecemos o lado sinfônico de Fireball e também da banda Moody Blues, esses, mestres nesse tipo de composição. Our Lady ainda percorre pelos vocais de apoio e uma bela condução de Ian Paice. Fica longe de ser um clássico, mas, vale a conferida por alterar o rumo da sonoridade predominante em Who Do We Think We Are.

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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