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Resenha: Dawn (1976)

Álbum de Eloy

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O começo da sua melhor fase

Autor: Tiago Meneses

29/05/2020

É justo dizer que Dawn marca um novo começo pro Eloy. Como a banda se desintegrou devido as diferenças decorrentes da interferência gerencial, surgiu quase que das cinzas um novo grupo com Frank Bornemann como o único sobrevivente daquela queda. Agora com esse fluxo de novas ideias, também veio uma nova direção musical. Os extensos exercícios de rock e improvisação de outrora, agora passam a serem substituídos por arranjos cuidadosamente orquestrados e estruturados. Uma linha menos space rock e mais progressiva sinfônica “tradicional”. É nítido o quanto que as guitarras e teclados estão mais integrados, geralmente se fundindo para formar uma parede de som que não soa muito diferente do Genesis – pra citar apenas um exemplo. O hammond neste disco é apenas mais uma voz entre muitas.

Costumo dizer que com essa nova formação, Frank conseguiu de fato se expressar verdadeiramente com o tipo de música que ele deveria tocar e parecia ser mais a da sua preferência. A sonoridade é muito mais forte do que tudo feito até então, pois além de tudo, os novos membros tinham mais talento musical, transformando a audição do disco em algo simplesmente delicioso. 

Dawn é um álbum conceitual, mas sinceramente, uma das melhores maneiras de apreciar esse disco é ignorando completamente as suas letras. É difícil de achar algum traço de coerência na sua história, parece ser uma espécie de sequela de The Power and the Passion, já que a sua “heroína” é mencionada algumas vezes aqui também. Mas as letras são tão terríveis, que eu fico na dúvida se o baterista Jürgen Rosenthal – quem criou a história – não estava fazendo apenas um tipo de paródia e a ideia era não ser levado a sério. 

Algo extremamente elogiável neste disco é a sua combinação de belas cordas com o som característico do rock espacial da banda e alguns sons surreais de teclado. Em Dawn há uma boa mistura de cordas clássicas com a sonoridade espacial da banda e que criam um som extraordinariamente único. Às vezes muito pacífico, além de suave e ambiente, mas em outros momentos influenciado por jams características do space rock. 

Algo que também vale uma menção é sobre o fato de este disco ser organizado de uma maneira progressiva, onde a maioria das músicas flui como se fossem movimentos em uma grande composição que abrange todos eles, sendo que quando não soa assim, são em apenas pequenas pausas. Então, em essência, Dawn pode ser encarado tranquilamente como uma música de quarenta e oito minutos. 

Para aqueles que já admiravam os discos anteriores da banda, Dawn é uma amostra clara que a banda ainda poderia evoluir mais ainda. Para aqueles que não gostaram dos primeiros álbuns, Dawn é uma mudança de direção que faz com que qualquer um passe a olhar pra banda de uma maneira diferente. A voz de Frank não costuma ser um grande atrativo, mas sempre foi assim e isso é uma questão de ser superada. Nenhuma música do disco é fraca, porém, também não possui nenhum momento memorável ou inesquecível. De qualquer forma, um disco excelente e muito bonito, indicado a qualquer pessoa que goste de rock progressivo na veia sinfônica.

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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