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Resenha: Guitar Noir (1993)

Álbum de Steve Hackett

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Guitar Noir é um bom “recomeço” na carreira de Hackett.

Autor: Tiago Meneses

27/05/2020

Em seu primeiro disco na década de noventa, Steve Hackett escolhe fazer uma mistura de todos os estilos com os quais flertou nos anos anteriores, entregando um registro bom e coeso, o que não significa que o disco possua a grandeza de alguns dos seus antecessores. Na sua maioria, Guitar Noir é um álbum bastante sólido, embora possua algumas peças abaixo do padrão que podemos esperar quando falamos do guitarrista. Apesar de tudo o álbum tem, por exemplo, alguns fortes materiais instrumentais. O álbum tem uma boa mistura de peças acústicas e elétricas, instrumentais e faixas com vocais. Interessante é que esses momentos não estão nem muito agrupados e nem muito distantes um dos outros. Há uma boa distribuição de cada uma das faixas e há uma sensação coesa geral. 

Eu considero que Steve Hackett é um vocalista muito bom aqui. A ausência de vocalistas convidados pra mim ajuda a dar coesão maior ao álbum, um senso de direção e uma forte identidade musical. Como eu já disse, há um bom equilíbrio entre o material instrumental e o vocal, entre acústico e elétrico, entre o suave e o não tão suave assim. Guitar Noir é um disco diverso e eclético, porém, o clima é basicamente o mesmo dentro dos seus diversos estilos. O humor encontrado aqui é o que o guitarrista iria abordar com mais fervor em discos futuros, digamos que Guitar Noir é o início de uma nova era e que perdura até os dias atuais. 

No geral o disco é suave, mas há sim uns momentos com um pouco mais de peso. Mas mesmo os seus momentos de mais peso não chega a ter tanto peso assim. O trabalho de guitarra é aquilo que costumamos esperar quando falamos de Steve Hackett, linhas no mínimo muito boas e distintas.

Infelizmente existe algo em Guitar Noir e que deve ser mencionado. Apesar de ser o melhor disco desde Defector de 1980, toda a experimentação – para o bem ou para o mal – encontrada nos quatro primeiros discos, simplesmente parecem terem sido abandonadas, o que acaba deixando Guitar Noir um álbum muito direto e reto, com músicas muitas vezes excessivamente “normais”, digamos assim. 

Não quero me alongar demais em relação a esse disco, mas em poucas palavras, estamos diante de um bom álbum do extremamente prolífico Hackett, com alguns momentos mais inspirados. Porém, é sempre bom frisar que nem tudo aqui é de qualidade e tem algumas partes até mesmo bem chatas, mas com certa paciência até mesmo esses momentos deixam de ser um problema grave. Podemos dizer que Guitar Noir é um bom “recomeço” na carreira de Hackett.

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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