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Resenha: Olias Of Sunhillow (1976)

Álbum de Jon Anderson

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Olias Of Sunhillow é uma fuga visionária de Jon Anderson

Autor: Tiago Meneses

23/05/2020

Olias Of Sunhillow é uma criação visionária de Jon Anderson após um hiato de Yes.  Posso dizer que se trata de um disco bastante progressivo. Um esforço solo realmente impressionante, muito melhor do que aquele som complicado que o Yes começaria a desenvolver alguns anos a frente. Anderson despeja todo o seu coração e alma em cada uma das canções, mas por mais talentosa e virtuosa que seja a música, o conteúdo lírico é totalmente novo e isso pode afastar alguns ouvintes, eu mesmo devo admitir que tive certa dificuldade e assumo que não foi de primeira que este disco me pegou. Os temas transcendentalismo, xamanismo e new age, já explorados em discos do Yes, aqui recebem excelente tratamento. Jon Anderson nunca teve uma voz que agrada a todos, mas eu particularmente sempre gostei do seu jeito de cantar, sendo que é bom frisar que aqui sua voz está menos tensa. Umas mistura de tons escuros e claros na textura da música proporcionam uma audição extremamente convincente. 

No disco existe uma estrutura conceitual na qual cada uma de suas músicas parece depender uma da outra, embora a história seja mesmo é bastante opaca ou difícil de entender, ou seja, fiel aos tipos de muitas letras do Yes na década de setenta. Anderson manteve muito bem o progressivo na sua música. O conceito diz respeito a uma nave interplanetária orgânica conhecida como Moorglade, que é uma exploração do universo ou da mente, como você quiser chamar, das esferas da revelação mística. A letra procura o significado da existência e o ouvinte procura o significado da letra. É tudo muito denso e cheio de simbolismo e certamente o confundirá, ou dependendo da sua vontade de achar significados, o deixará até enfurecido. A música é a coisa mais importante e varia de momentos incrivelmente simples e fluente à passagem intrincada e fraturada. 

A transmutação de estilo é algo verdadeiramente surpreendente, mas funciona também como pontos de interesse à medida que a história se desenrola. Mas também não tem como deixar de perceber que muitas músicas soam meio repetitivas, ainda que esses momentos sejam contrabalançados por transfusões esporádicas de teclados polirrítmicos e percussão. 

No geral estamos diante de um ótimo registro e que certamente agrada qualquer admirador do Yes. Nem todo mundo talvez goste da sua abordagem new age ou de alguns momentos mais estridentes, mas ainda assim o disco oferece uma ótima execução progressiva em passagens musicais desconhecidas ou pouco exploradas.  De certa forma podemos classificar Olias Of Sunhillow como uma fuga visionária de Jon Anderson.

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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