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Resenha: Led Zeppelin III (1970)

Álbum de Led Zeppelin

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Uma mistura de doce violão, composição centrada em folk e toques de hard rock

Autor: Tiago Meneses

22/05/2020

Como a banda havia feito um sucesso extremo nos seus dois primeiros anteriores, Robert Plant e Jimmy Page tomaram uma iniciativa para reunir os membros e começarem a compor aquele que seria o terceiro álbum do Led Zeppelin. Foi então que eles fizeram uma viagem a uma remota casa de campo chamada Bron-Yr-Aur, onde eles puderam escrever, compor e tocar material para o próximo disco, isso em um ambiente bastante natural e silencioso, onde nem mesmo energia elétrica tinha, pra iluminação era usado velas. Certamente esse clima serviu com uma grande influência mais acústica e certa mudança de direção em relação ao que a banda havia feito nos dois discos anteriores. Se em Led Zeppelin I e Led Zeppelin II Jimmy Page era quem controlava praticamente tudo em relação as composições do material do álbum, em Led Zeppelin III as coisas aconteceram dentro de um ambiente mais democrático. O resultado disso foi um ótimo disco de rock onde há um equilíbrio entre explorações de materiais elétricos e acústicos. 

“Immigrant Song” é a faixa que abre o disco com os seus pouco menos de dois minutos e meio. É uma faixa que possui ritmos rápidos que soam bastante únicos, sendo que, apesar de curta, consegue se mostrar muito bem sucedida na criação da atmosfera que um grande álbum precisa. Destaque também para as batidas sincopadas de bateria combinada com linhas de baixo efervescentes. 

“Friends” é a primeira exploração acústica que a banda faz no disco. A banda aqui também introduziu uma nuance oriental. Se o ouvinte prestar atenção nos detalhes, poderá perceber alguns elementos sinfônicos, usados por muitas bandas progressivas da época. 

“Celebration Day” começa já de maneira excitante através de um riff pesado de Jimmy Page combinado com um trabalho vocal de Robert Plant bastante forte. Tem uma história de que ela quase não apareceu no disco, mas não me recordo o motivo agora. Uma música cheia de energia e vigor. Adoro as suas versões ao vivo. 

“Since I've Been Loving You” em uma definição bastante curta e objetiva, se trata de um dos melhores blues já feitos na história. Uma faixa extremamente poderosa com ponderação no exímio trabalho vocal de Robert Plant. 

“Out On The Tiles” traz de volta para o álbum um riff de guitarra do tipo exclusivo de Jimmy Page, muito bem reforçado pela cozinha dinâmica formada por John Paul Jones e John Bonham. Possui um ritmo excelente e animador, que são notados principalmente quando nos concentramos nas batidas que Bonzo fornece. 

“Gallows Pole” é mais um ótimo momento acústico do disco que se utiliza muito bem do violão, movendo-se de um ritmo lento para uma crescente de ritmos mais rápidos muito bem combinados com bandolim. 

“Tangerine” é uma balada que traz o disco pra uma região de sonoridade doce e delicada. Jimmy Page desenvolve um ótimo trabalho de guitarra. Uma canção de amor com letras incomumente românticas. Sinto uma sensação boa sempre escuto esta música. 

“That's The Way” é outra faixa retirada nos mesmos moldes acústicos já apresentados em faixas anteriores. Possui uma atmosfera folclórica simplesmente incrível e eu consigo até imaginar ela sendo composta de baixo de uma árvore. Belíssima. 

“Bron-Y-Aur Stomp” mantém o clima acústico no disco, mas desta vez a percussão e vocais são mais efusivos em determinados pontos e fazem desta uma faixa menos branda. Apesar de acústica, possui um ritmo fabuloso. Bonham define o ritmo de maneira brilhante. Vale mencionar que a introdução foi “emprestada” de um amigo, onde este era Bert Jansch e a música em questão, “The Waggoner's Tale”. 

“Hats Off To (Roy) Harper” é a faixa que finalize o disco e que eu considero o seu momento mais fraco. Momentos de slide guitar enquanto que os vocais distorcidos passeiam pela música. A real é que a música é  uma bagunça psicodélica e melodiosa que é dolorosa de ouvir. Uma colagem de trechos de músicas antigas de blues escritas por veteranos do blues, mas que nunca foram creditadas como tal, o que de certa forma não é algo de se estranhar, mas esse tipo de conversa sobre a banda é algo pra outro lugar. 

Led Zeppelin III é um ótimo registro de uma das maiores bandas de rock da história, e onde há um domínio acústico. É uma mistura de doce violão, composição centrada em folk e toques de hard rock.

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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