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Resenha: Coda (1982)

Álbum de Led Zeppelin

Acessos: 70


O último voo do Zepelim de chumbo!

Autor: Márcio Chagas

20/05/2020

Todo mundo conhece a história: o Led Zeppelin encerrou suas atividades em setembro de 1980, com a morte de seu baterista John Bonham. Porém, bandas de rock do porte do Led Zeppelin são muito mais do que meros grupos musicais, se tornando verdadeiras empresas com os mais variados contratos a serem cumpridos.

A gravadora fundada pelos músicos Swan Song devia a Atlantic um último álbum de estúdio com faixas inéditas. Jimmy Page resolveu compilar canções do grupo entre os anos 70 a 78, a maioria gravadas ao vivo, e surpreendeu a todos colocando no mercado “Coda”, título que significa a última passagem de uma peça musical.

Como possuis sobras de várias épocas do grupo, o disco não deixa de soar como uma colcha de retalhos, embora possua ainda qualidade excelente como tudo que o Led fazia.

A curta “We’re Gonna Groove” abre o álbum com seu riff dinâmico e sua condução cheia de groove conforme menciona o título. Essa canção servia para abrir os concertos da banda nos anos 70. Page pegou uma gravação ao vivo, modificou, acrescentou guitarras, mixou e pronto! É uma canção rápida e pesada, com destaque para a cozinha de Jones e Bonham, uma das melhores de todos os tempo;

“Poor Tom” chegou a ser minha canção favorita do álbum durante um tempo. Com seu andamento de bateria malemolente e os vocais quase sexy de Plant. É uma faixa eminentemente acústica e dizem ter sido gravada no “Olympic Sound Studios” durante as sessões do “Led Zeppelin III”;

A versão do grupo para “I Can’t Quit You Baby” está mais pesada e enérgica. Foi gravada ao vivo também em 70, e dizem que Page retirou da mixagem final o barulho de multidão para que parecesse ser uma versão de estúdio. É um blues arrastado, pesado, de arrasar!

“Walter´s Walk” é uma sobra do “Houses of the Holy”. Possui um riff de guitarra contagiante muito parecido com o que Page faria em sua próxima banda,  o “The Firm”. A cozinha continua matadora, segurando as bases com competência habitual;

“Ozone Baby” tem o espírito dos bons tempos do Zeppelin, apesar de ter sido gravada em Estocolmo no ano de 78 durante as sessões de “In Through the Out Door”. O baixo Alembic de John Paul Jones é destaque na condução do tema;

A faixa seguinte “Darlene” vem das mesmas sessões de Ozone, um rockão calcado no riff de Page, tendo a voz de Plant como destaque. Aqui entra até um pianinho maroto de Jonesy. Só não entendo porque essas duas canções não entrando no álbum;

“Bonzo Montreux” foi gravada obviamente na Suíça. É um solo de bateria de Bonham, que contou com a adesão de alguns efeitos por parte de Page. Impressionante como o baterista mostrava seu poder de fogo apenas com uma simples levada rítmica;

O álbum encerra com outra paulada, “Wearing and Tearing”, também retirada das sessões de “In Through...”, e mostra o grupo com a faca nos dentes, apresentando um tema irrepreensível, digno de figurar em qualquer álbum do grupo. Inexplicável que nunca tenha sido devidamente aproveitada;

“Coda” foi produzido pelo próprio Jimmy Page e conta com uma capa da Hipgnosis que já havia trabalhado com o grupo antes. Sinceramente, poderiam ter caprichado mais na concepção da capa, uma das piores da carreira do grupo.

O disco chegou nas lojas em novembro de 1982, e teve vendas mais modestas se tratando do Led Zeppelin. Mesmo assim, vendeu mais do que muitos outros álbuns lançados no mesmo período, chegando em 3º lugar no reino unido e em 6º no top 200 da Billboard.

Com o lançamento de “Coda” o Zeppelin de chumbo faria sua última viagem musical, deixando fãs e admiradores órfãos de sua música.

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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