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Resenha: S.F. Sorrow (1968)

Álbum de The Pretty Things

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Digno e muito relevante, seja pelo seu conceito, composição ou criatividade.

Autor: Tiago Meneses

20/05/2020

S.F Sorrow é certamente um disco bastante significativo e influente. Lançado em 1968, é considerado por muitos até mesmo a primeira ópera rock, mas aí é uma discussão que eu deixo pra quem tem paciência pra isso. O álbum é estruturado como um ciclo musical, contando a história do protagonista, Sebastian F. Sorrow, e suas experiências de amor, guerra, tragédia, loucura e a desilusão da velhice. Gravado no Abbey Road Studios e produzido por Norman Smith, que até então trabalhava com o Pink Floyd, mas anteriormente estava com os Beatles. A música do disco possui um sabor psicodélico, mas também é bastante pop, melhor dizendo, uma sonoridade bastante comercial. 

A narrativa de S.F Sorrow é diferente de outras operas-rock/álbuns conceituais como The Wall ou Tommy, pois enquanto que estes transmitem o seu conceito através de suas músicas, a Pretty Things conta a maior parte da história através de pequenos capítulos parecidos com parágrafos que foram impressos nas notas principais do LP, alternando com a letra das músicas. 

De certa forma o disco soa exatamente somo esperamos que seja um álbum de 1968. Não consigo tecer um pensamento que explique se S.F Sorrow tem uma paisagem sonora que parece confinada, ou se a tecnologia limitasse a capacidade da banda em realizar toda a sua visão. Mas existe algo que é certo, baseado no que a banda havia feito em discos anteriores, S.F Sorrow é uma obra muito mais ambiciosa e arriscada, porém, eles se saíram muito bem. 

Pelo que já cheguei a ler sobre comentários da época do lançamento, o disco teve grandes comparações com os Beatles e os Beach Boys. É possível notar também alguns ecos de músicas como "Being for the Benefit of Mr. Kite!" e “'Strawberry Fields Forever”, além com as de outras gravações de bandas contemporâneas como Moddy Blues, Tommy James and Shondells ou Buckinghams. 

Mas a grande parte do material encontrada aqui no disco não é necessariamente pop - embora essa parte exista -, eu acho que seria mais justo dizer que a maior fatia da música de S.F Sorrow é de uma linha experimental. Ao longo do álbum o material é bastante forte. Costumo dizer que o disco deve ser encarado de fato como um álbum do que como uma compilação de músicas. 

A música de S.F Sorrow, como já dito, possui uma influência forte na música psicodélica, e embora não seja um disco de heavy metal, também existem passagens neles que soam mais pesadas do que Vanilla Fudge ou Iron Buttefly, mas como faziam todas as bandas da época, essas passagens heavy são mais lentas ou baseadas no blues. 

S.F Sorrow é um disco onde ao mesmo tempo em que muito do que foi feito nele parece inovador, por outro lado parece datado. Enquanto os Beatles – pra citar apenas um exemplo - talvez tivessem que moderar suas ambições tecnológicas para garantir um som de alta qualidade, a Pretty Things estava disposta a sacrificar a qualidade do som para criar um trabalho que não era muito viável na época.

Mas qual o resumo da ópera? Bom, tratasse de um ótimo disco, e apesar de suas falhas práticas, com certeza é digno e muito relevante, seja pelo seu conceito, composição ou criatividade.

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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