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Resenha: Sympathy For The Devil (1994)

Álbum de Guns N' Roses

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"Simpatia Pelo Diabo": o "último suspiro" da formação clássica do Guns N' Roses

Por: Maik Antunes

16/05/2020

Gravada e lançada em fins de 1994 – como trilha sonora do bem-sucedido filme "Entrevista com o Vampiro" (de Neil Jordan) –, "Sympathy For The Devil", originalmente composta e registrada, em 1968, pelos Rolling Stones, coroou a impressionante habilidade do Guns N' Roses (em sua formação clássica) para a releitura de canções nem sempre bem sucedidas em suas versões originais.

Não que esse fosse o caso da versão de Mick Jagger e dos Stones, mas, depois de Axl Rose e seus "comparsas" de banda, nenhum outro artista ou grupo musical conseguiria a façanha de cravar em "corações e mentes" versão tão imbatível quanto essa que veio à tona em novembro de 1994. Motörhead? Jane's Addiction? Quem se lembra? Nem mesmo Ozzy Ozbourne foi capaz!

Estava tudo ali.
	
Tudo o que pedia um maior – e melhor – esforço de (re) interpretação de um verdadeiro clássico como esse dos Stones estava ali:

•	A guitarra marcante e os solos inconfundíveis de Slash (provocando a barulheira "infernal" que se ouve logo nos momentos finais da faixa);

•	O baixo discreto, mas sutilmente insinuante, de Duff McKagan (cujo vocal de apoio também se fizera presente);

•	Os teclados sorrateiros de Dizzy Reed (que, ao lado do piano dedilhado por Axl, conferiam intencionalidade sinistra ao som);

•	 As levadas precisas e retumbantes da bateria de Matt Sorum (somadas à percussão que, executada pelo mesmo músico, estampara ainda mais tenebrosidade mística à batida – de referências afro – similar à embutida na versão original do "hit");

•	A guitarra de Paul Tobias (velho amigo de Axl e por este "enxertado" no lugar – e sem o conhecimento – do então guitarrista-base do grupo, Gilby Clarke, a fim de reforçar o ritmo e a melodia da gravação);

•	E os vocais dilacerantes... os gemidos, gritos e sussurros de Axl... sugerindo ironia, malícia, mistério, sarcasmo e ira... numa interpretação magistral e envolvente desta canção que, além de representar um retorno do Guns N' Roses às paradas de sucesso, evidenciara, também, o começo do fim:


•	o fim da formação clássica do grupo;

•	o fim do ciclo de releituras altamente criativas e comercialmente bem sucedidas por parte da banda (sim, ninguém mais se lembraria de Paul McCartney, Bob Dylan ou dos Skyliners toda vez que ouvisse faixas como "Live And Let Die", "Knocking On Heaven's Door" ou "Since I Don't Have You" se confirmando como sucesso de verdade na voz de Axl e ao som do Guns)...

•	e o fim do vigor e das (tantas vezes) admiráveis habilidades vocálicas de Axl Rose.

Enfim, "o último suspiro": o fim de uma era.



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