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Resenha: Who Do We Think We Are (1973)

Álbum de Deep Purple

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Uma pausa necessária na MK II

Autor: André Luiz Paiz

12/05/2020

Após uma sequência avassaladora de álbuns iniciada em "In Rock" e concluída em "Machine Head", o Purple trouxe em "Who Do We Think We Are" sinais de que precisava de um descanso. Um álbum com abordagem mais direcionada ao Blues Rock e que marca a despedida de Ian Gillan e Roger Glover, até um retorno mais adiante. Ainda sim, trata-se de um ótimo material.

Temos aqui um disco que foi um sucesso comercial, principalmente com a hard "Woman from Tokyo", mas que hoje acabou de certa forma esquecido pelos fãs dos clássicos lançados pela banda. Fato é que, se você estiver nostálgico e afim de colocar um disco das antigas do Purple para rodar, dificilmente será este. O que é até de certa forma injusto. Por outro lado, como competir com "Fireball", "In Rock", "Machine Head" e "Burn"? É por isso que ele acaba ali, no meio e um pouco de lado.
O álbum foi gravado no Rolling Stones Mobile Studio, em Roma e Walldorf, próxima a Frankfurt. A capa original trazia menções de artigos com críticas à banda pela mídia da época, sendo que Paice lembrou que a maioria delas traziam os dizeres: "Who do Deep Purple think they are...". Além disso, após o lançamento a banda também foi massacrada, com comparações injustas aos trabalhos anteriores e alegações de que tocavam por obrigação. Para quem tem bons ouvidos, nota-se um certo desgaste, mas a qualidade ainda está ali, sem qualquer dúvida. Além de "Woman from Tokyo", destacam-se também "Mary Long", "Super Trouper" - com seu refrão psicodélico-, os ótimos riffs de "Red Bat Blue" e a balada "Our Lady".

Enquanto Gillan tiraria um descanso e pouco depois iniciaria a sua aventura em carreira solo. Roger Glover faria o mesmo, além de produzir diversos artistas como Judas Priest, Nazareth, Elf e a própria Ian Gillan Band. Já o Purple retornaria em breve com "Burn", mais um clássico, agora acompanhado de dois músicos hoje consagrados: os espetaculares David Coverdale e Glenn Hughes.

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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