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Resenha: I Can See Your House From Here (1979)

Álbum de Camel

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Bem abaixo dos clássicos, porém, reserva bons momentos

Autor: Marcel Z. Dio

11/05/2020

Foram cinco álbuns irrepreensíveis, contando os quatro primeiros com formação intacta e o ótimo Rain Dances, e a partir desse ponto o Camel se viu um tanto perdido em trocas de membros e em adequar o som sem perder o lado progressivo.
I Can See your House ... trouxe mais elementos do pop do que Breathless, seguindo um ciclo considerado normal na cronologia progressiva, comprimir o som mantendo contato com o passado.
Foi um passo falseado, mas não um fim, pois o Camel nem com todo esforço do mundo conseguiria apresentar um disco abaixo da média.
Peter Bardens sai logo após a turnê de Breathless e assim Andrew Latimer e Andy Ward tem que se virar para achar alguém a altura, veio com Jan Schelhaas (Caravan) que já cobria a lacuna em turnês e agora aproveitado para o novo disco. Não contentes, reclutaram Kit Watikins do Happy The Man. Agora com dois tecladista e também o novo baixista Colin Bass no lugar de Richard Sinclair.
Concluída a bagunça de troca de cadeiras, vamos analisar algumas canções do álbum.

Quando ouvi o disco pela primeira vez, logo senti desgosto com Wait. Achei as guitarras medianas, as comumente encontradas em grupos cafonas do hard rock e também uma certa chateação com o refrão.
Seria pior se não fossem os teclados comprarem a briga para darem brilho ao restante.

"Your Love Is Stranger Than Mine" era a preparação para novos tempos, pois caberia até em trabalhos futuros como Stationary Traveler (1984), mas seria inconcebível a regressar três anos com Moonmadness, provando que estavam se preparando para os anos 80. Não era ruim e sim moderna a seu modo, sua época.

Who We Are é uma boa peça progressiva, melancólica com arranjos orquestrados. Tenho a impressão que pegaram conceitos do Eletric Light Orquestra para ela. Alem disso tem um certo clima de filme em seu interlúdio.

Hymn to Her mostra a faceta de quem carregaria o Camel até o fim, Andrew Latimer. As guitarras são seu pilar fundamental, e o restante trabalha somente como base para um link estonteantemente lindo e simples, puxado depois por um solo que pega os mesmos padrões. Latimer é mestre em melodias fixantes.

Neon Magic é uma das pisadas na bola, não consegue expressão nem com a astucia de Latimer. O que vem a seguir com Remote Romance são camadas de sequenciadores que a primeira ouvida podem ser soar legal, mas o tempo se encarregou de transforma-la na canção mais boba do Camel.

E por fim temos a expressão máxima de um músico com seu instrumento, a canção que deveria ser obrigatória em conservatórios, para mostrar o que é expressar sentimentos através da arte. Falo de Ice, o espelho da alma de Andrew Latimer.
Latimer pontua toda a canção com solos e mais solos em companhia de belos fraseados de piano, e assim Ice vai tomando forma com entrada do baixo e bateria, enquanto Latimer fala as com notas e deixa espaço para o moog solar também. É algo etéreo, emocional e não pode ser transmitido por um simples texto, tem que ser ouvido e sentido.
Quem toca bateria em Ice é Phil Collins, porem, o encarte do disco não trás essa informação, e os motivos de ocultarem seu nome eu desconheço.

Não é o Camel clássico que conhecemos, ainda assim tem tem boas trilhas e aponta ao futuro.

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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