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Resenha: Face The Music (1975)

Álbum de Electric Light Orchestra

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Um ótimo disco, de escuta fácil e agradável

Autor: Tiago Meneses

09/05/2020

Não sei se todo mundo tem uma banda assim, mas a Electric Light Orchestra, apesar de ser uma banda que possui muito material que gosto, eu raramente a escuto, ou mesmo comento sobre ela com alguém ou em algum lugar. Face the Music é um disco interessante, onde para todos os elementos pop a banda também mostrou o seu lado mais aventureiro, e que já pode ser percebido em sua faixa instrumental de abertura. Muito deste disco é de uma típica música progressiva bem vestida com o rock and roll da velha guarda e casada com a música clássica. Não digo que Face the Music é essencial para todo fã da banda, pois creio que todo fã já deve conhecê-lo, mas também o acho uma ótima porta de entrada para quem nunca ouviu nada ou pouca coisa deles. Não é exatamente um disco impecável, mas certamente proporciona uma experiência de audição muito boa e concisa. 

“Fire on High” tem talvez um dos trechos mais assustadores quando falamos em músicas da banda, pra ser mais exato, os seus noventa primeiros segundos. Abre o disco como se fosse uma continuação de Eldorado através de uma faixa instrumental intensa. São mais de cinco minutos que passam rapidamente por uma sucessão de temas, mantendo o clima acalorado o tampo todo, instigando o ouvinte do começo ao fim. 

“Waterfall” é uma música linda e que carrega uma sonoridade típica da banda, muito bonita. Possui uma abertura suave e vai seguindo assim até o film, dando ao ouvinte uma sensação de leveza. Só acho uma pena que mesmo com essas melodias ótimas e arranjo lindo e simplista, costuma ser uma faixa tão subestimada pela própria banda. O refrão tem um elemento de harmonias complexas e vocais de falsete. 

“Evil Woman” é a música que mesmo não sendo a minha preferida, certamente é a mais significativa do disco. Possui o modelo que Lynne usaria na banda para criar uma longa sucessão de singles de sucessos e bem sucedidos. “Evil Woman” alcançou o topo das paradas de maneira tão rápida, que Lynne sequer teve tempo de apreciar o “monstro” que havia acabado de criar. Afinada, cativante e agradável, construída de uma maneira simples, mas que é difícil de não gostar. 

"Nightrider" começa com uma seção de cordas meio sombrias, até que Lynne canta algumas doces melodias, ocasionalmente em falsete. É então que logo a música se arrasta em um ritmo bastante agradável, tendo como vocal principal em alguns pontos o baixista Kelly Groucutt. O entrelaçamento de cordas utilizados em “Evil Woman” também é utilizado aqui, mas sem os efeitos pesados. 

“Poker” é uma música bastante diferente de qualquer outra música que você vai encontrar nesse disco. Isso é ruim? Poderia ser que sim ou não, mas nesse caso é não. Uma música mais pesada e de levada rock and roll e bons sintetizadores. Novamente, Groucutt, além de bom baixista, se mostra uma pessoa de vocal versátil. Um dos riffs da música traz certa semelhança em “Kashmir” do Led Zeppelin. 

“Strange Magic”, bom, eu não posso falar com a propriedade de um conhecedor de toda a obra, mas certamente que aqui estamos diante de uma das músicas mais delicadas de todo o catálogo da banda. Uma introdução adorável, com uma guitarra quase havaiana e teclas sutis, também possui canto gracioso e uma citara exótica que oferecem complexidade a essa música lindamente plácida. 

“Down Home Town" é novamente algo bastante diferente – ainda que não tanto quanto “Poker” -, costumo dizer que esse som poderia ser gravado facilmente por uma banda de southern rock, a The Marshall Tucker Band pra ser mais exato, devido ao bom uso de violino. Uma faixa bastante edificante. 

"One Summer Dream" é a música que encerra o disco e se inicia com umas ótimas seções de cordas, seguido por um vocal suave. A faixa muda para uma sonoridade otimista e que mostra o quanto a banda consegue trabalhar de maneira eficiente dentro de uma simplicidade, fazendo com que assim a música possa se tornar inesquecível. Face the Music encerra com uma faixa de melodia sonolenta e nostálgica. 

Se você é daquelas pessoas que estão sempre ouvindo coisas pesadas e complexas, esse disco é a indicação perfeita para quando você quiser fazer uma pausa para apreciar algo que passe pelo seu corpo em ondas e frequências mais baixas. Um disco muito bom e de escuta fácil e agradável.

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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