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Resenha: For Those About to Rock (1981)

Álbum de AC/DC

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Clássico, obra de arte e extremamente envolvente

Autor: Fábio Arthur

08/05/2020

Entre tantos argumentos sobre essa obra digna, um deles seria de que as faixas deste disco - em quase o seu total - não entrariam em "Back in Black". Tenho que discordar piamente.

"For Those About Rock (We Salute You)" acaba sendo bem direcionado e seus níveis de composições são fortemente amparados por faixas acima da média. Não se pode negar que a estrutura dos dois discos anteriores são bem fenomenais, mas neste trabalho a coisa toda vem latente de forma única e são riffs, melodias, voz poderosa e ríspida de Brian e a cozinha perfeita entre Rudd e Cliff. O disco segue martelando entre canções ágeis e as típicas do AC/DC. 

Indo além, Robert Mutt Lange fez um trabalho bem conciso e, mesmo que após esse disco não viesse a trabalhar com grupo novamente, a obra ficou bem revisada e polida de maneira certeira. O trabalho chegou em 1981 e após a turnê passada o grupo realmente continuou a saga entre seus maiores atributos e não desmereceu seu próprio legado. 

O álbum vendeu bem e em vários países. A banda chegou a lançar dois singles de apoio. O disco foi gravado em Paris e, um fator curioso, foi o tempo gasto na bateria de Phil Rudd, foram três dias somente nivelando o som de caixa da bateria, espantoso!

O grupo não trouxe nessa fase os vídeos clipes e sim filmou algo ao vivo mesmo e foi colocando à disposição dos fãs. Na verdade, foram em torno de 3 a 4 faixas do álbum em concertos lotados, o que deu a entonação perfeita da banda ao vivo, a força e a qualidade sonora. Durante a execução da faixa título o grupo teve problemas com os canhões e as pessoas na frente do palco receberam tampões para bloquearem o barulho ensurdecedor. Em outros momentos, houve sérios problemas com os tais canhões, mas mesmo assim, a banda seguiu se valendo deles. Aliás, a arte do disco tem que ser dita aqui e com calorosos aplausos. Nunca o simples ficou tão enérgico e marcante, chegou em gate fold com a imagem grande do grupo ao vivo internamente. Para quem comprou o disco na época, era algo surreal ficar observando a arte como a um troféu e ouvindo o petardo com água nos olhos.

E as faixas são algo para se contemplar deste trabalho, vide a abertura com "For Those About Rock" e sua letra inspirada, um livro sobre gladiadores e seu riff inicial. Outro ponto seria já começar o disco com uma faixa tão poderosa, com os solos, a bateria e os canhões são um atrativo à parte no final. "Let's Get It Up" soa com cadência e segue perfeita. Que som!  "Inject the Venom", com bateria forte e vocal rasgado, música ambiciosa. "Evil Walks" fez com a banda mostrasse o peso fenomenal, outra canção ótima. "C.O.D." trouxe a banda com conotações pesadas e obscuras, mas que foram interpretadas pelo grupo como brincadeira. "Night of the Long Knives", também com letra forte e som rasgado, mostra que a banda tinha lenha e ainda detinha grande força. 

Gosto deste disco e não concordo que dizem que ele sai abaixo de seus antecessores. Ao contrário, soa forte, pesado e inspirado.

Hail AC/DC!

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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