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Resenha: Agent Orange (1989)

Álbum de Sodom

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Fulminante!

Autor: Fábio Arthur

07/05/2020

O Sodom veio sob influência de Motörhead. A banda aliou essa veia ao som Death Metal e com a paulada Speed chegou com tudo nos meados de oitenta. O grupo, entre as mudanças na formação, variava disco a disco, no entanto, sempre o som característico e sujo da banda estave lá. Eles serviram de influencia para inúmeros outros, foram de certa forma pavimentando em um crescendo sem tréguas.

Fúria, raiva e um ápice de ótimas faixas compõem "Agent Orange", lançado em 1989, época em que Metallica, Sepultura, Slayer, Testament, Exodus, Anthrax, Kreator, entre tantas outras grandes, estavam mostrando a nova face do Metal. Difícil competir com tantos assim, mas o Sodom tinha um diferencial, eles traziam em um Power Trio, a pegada crua, aliada em um som "Punk" e com o seu estilo nato de ser. Outro fator importante, seria a velocidade constante nas faixas, o vocal que transita entre drive seco, áspero e algo como um "gutural" disfarçado, além logicamente de não se deixar prender aos mimos de solos para enxertos e nem mesmo refrãos grudentos. Tudo isso aliado em uma produção bem ajustada e temas relacionados à guerra com teores ácidos e bem criativos. 

Aqui a banda ainda tinha o falecido Withchunter - e que baterista -, uma personificação da pura e extrema essência do instrumento. São viradas em ágeis tempos, alimentadas pelos bumbos ora duplos e em outros momentos dobrados em um pé somente e que culminam em técnicas entre os compassos, suas conduções entre floreios bem marcados. Realmente o cara fazia a diferença. Na guitarra e em tons de despedida, o grande Frank Blackfire, que hoje voltou ao grupo e na época estava indo para o Kreator registrar outro marco do metal mundial. Frank detém o nível de criar riffs ásperos, sem firulas e com boas doses de implementos que correm pelas faixas dando êxito e ligando as alternâncias de forma bem construtiva, salientando o nível das mesmas. Tom traz sobre a banda essa sua força, as raízes, a sua visão, o que transforma o trabalho todo em um ponto absoluto de como funciona metal dos primórdios; tudo como deve ser.

O grupo traz sua fonte de inspiração na Guerra do Vietnã e aborda os temas em complacência com o andar das faixas, ou seja, a abordagem rítmica anda lado a lado com letras fortes e cruas.

Para se ter uma ideia de como esse álbum funcionou e funciona até hoje, este seria o primeiro exemplar de um álbum alemão de metal pesado a entrar nas paradas comercias. Sendo o terceiro full lenght - já que primeiro registro foi um EP -, a banda trouxe uma linha segura para seu âmbito e o disco não carece de nada, um álbum totalmente sóbrio. 

Harris Johns ficou na produção, pouco mais de trinta minutos de som vigoroso e uma arte bem pertinente ao tema das faixas. "Agent Orange", com sua letra sobre o tal elemento gás usado de mesmo nome, e a faixa explode em uma tensão voraz entre baixo, guitarra e bateria, e cada compasso se torna uma linha ampla e evolutiva. "Tired and Red" segue os padrões e seu miolo com melodia de baixo e floreio acústico se sobressai para voltar à destruição profunda. "Incest", essa tem tema fortíssimo, que soa abusivo e mesmo assim a faixa continua com a mesma impiedade sonora, sendo uma das mais pesadas do disco. "Remember the Fallen" é tocada até os dias de hoje, segue mais "calma" e não perde a qualidade do trabalho. "Magic Dragon", minha predileta, tema sobre guerra e o título vem do avião usado no Vietnã. Pancadaria e um nível de voz absoluto de Tom. "Exbition Bout" é impecável, firme e também com uma letra peculiar de teor forte. "Augesbombt" obteve uma versão em alemão no single, a faixa remete claramente ao estilo Motörhead, ótima trilha. "Baptism of Fire" chega finalizando com mesmo teor do álbum, na versão CD existe uma faixa a mais, no entanto, o disco mesmo sem ela é perfeito.

Na turnê houve problemas com Sepultura e momentos curiosos, como quando Tom foi esquecido em um bar de estrada, andando quilômetros até sentirem sua falta.

Do mais, a banda merece respeito pelo seu som e pela sua desenvoltura, em um disco clássico e fulminante!

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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