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Resenha: Asylum (1985)

Álbum de Kiss

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Mantendo-se nas paradas

Autor: Fábio Arthur

05/05/2020

O KISS chegou com seu décimo terceiro disco após ter voltado ao topo com dois discos fenomenais, seriam eles: "Lick It Up" e "Animalize". 

Para dar continuidade, a coisa toda ficou mais concorrida, agora os Bon Jovi, Warrant, Poison e tantos outros que estavam matando a pau na MTV e nas rádios, era a cultura do Hard in Heavy ou se preferirem o Hair Metal.

Para seguir sem despencar novamente - e já sendo veteranos - o KISS inseriu uma boa dose de cabelos laqueados, maquiagem, roupas que mais pareciam trapos coloridos e um som bem mesclado com o Heavy Metal, algo Hard e até meio Glam. Nada que fizesse mal ao grupo!

O álbum chega com Bruce Kulick - agora oficial na banda - e traz produção de Gene e Paul, e talvez aí o disco não seja tão bem alinhado neste quesito. Mas o conteúdo soou bem, mesmo Gene sendo agora uma "estrela de cinema" e deixando seu parceiro Paul em desespero e desamparado.

O disco figurou bem na MTV e trouxe três clipes com uma turnê bem evolutiva. Sua comparação aos antecessores é inevitável e por aqui encontramos momentos ótimos, misturados aos medianos e os fracos. 

Não é tarefa fácil cuidar de todos detalhes, além de compor, cantar e produzir, além de ter que consertar as bolas foras de seu companheiro, esse foi Paul em "Asylum", de 1985. 

A arte de capa se mistura ao som do grupo, bem colorido e com nuances de guitarras cruas. Assim nasceria um divisor de águas na discografia oitentista da banda. Mas, o nome KISS ainda rendia bem quanto aos fãs, afinal, a banda era veterana e ainda emanava boas fontes. 

"King of the Mountain" já inicia com Eric Carr (saudoso) martelando tudo, com bumbos e tambores sendo surrados com técnica e fúria. "Who Wants to be Lonely", o único single e um dos vídeos citados acima, já chegou trazendo o ouvinte de rádio e fã para perto de si. Que faixa ótima! "Trial by Fire" soa bem, curta faixa, de teor Hard e refrão pegajoso. "I'm Alive" é uma canção ágil, algo que o KISS já vinha fazendo em cada disco lançado nos anos 80 e traz um ponto de divisão: se por um lado o ritmo é atrativo com os riffs, por outro a música não tem aquele apelo comercial e soa "linda", mas ainda é um intermédio bom. "Tears are Falling" mantém a chama acesa, chega com tudo, que voz de Stanley e que riff matador de Bruce. Chamar de ótima ainda é pouco para essa pérola musical. "Radar for Love" deixa a melodia com boa qualidade e descamba para um deslize em meio aos arranjos e solos ótimos da faixa. Apesar do vocal de Paul, a canção se perde em algum ponto, o que é uma pena, pois tinha tudo para ser outro clássico do disco. "Uh! All Night" é deliciosa, fácil de saber que é um clássico e fecha o disco de forma afortunada e ainda deixa aquele balanço já citado: um disco que soa bem e que também soa estranho. 

Esse é um álbum que você precisa ouvir sempre e com calma, sem pré-julgamentos. Na verdade ele é muito bom, apesar de alguns lances mal aproveitados e por ter sido subestimado por boa parte da crítica. 

O fato é que não se pode descartar um trabalho como esse na discografia do grupo.

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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