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Resenha: Badlands (1989)

Álbum de Badlands

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Primeiro disco do Badlands é pesado mas voa!

Autor: Márcio Chagas

02/05/2020

O guitarrista Jake E. Lee  havia participado da banda de Ozzy Osbourne lançando dois grandes trabalhos: “Bark at The Moon” e “The Ultimate Sin”, que ajudaram a revitalizar a carreira do Madman em sua inclusão pelo hard rock tão em evidência naquela década.

Porém, após a ultima turnê para promover o citado “The Ultimate Sin”, surgiram alguns atritos com Ozzy, que vivia alterado pelo uso de substâncias tóxicas e o guitarrista acabou demitido da banda pela esposa e empresária Sharon. Então Jake resolveu montar sua própria banda e seguir em frente. 

Inicialmente ele sentiu que precisava de um vocalista carismático como seu antigo patrão e com alta potência vocal. Foi então que conheceu Ray Gillen, que havia trabalhado por pouco tempo com Black Sabbath e estava interessado em integrar novos projetos. Durante audições para a banda de Ozzy, Lee havia conhecido Greg Chaisson, baixista do grupo Surgical Steel. O guitarrista havia gostado de seu som e a dupla decidiu convocá-lo. Para a bateria, Gillen sugeriu Eric Singer, com quem havia trabalhado no Black Sabbath.

Com a formação completa, o grupo recrutou o renomado produtor Paul O´Neil e as gravações deram inicio, sendo alternada entre os estúdios One on One em Los Angeles e o The Record Plant em Nova Yorke.

A proposta de Lee apresentada ao grupo era misturar o hard rock que já vinha praticando no grupo de Ozzy com a adição de elementos de blues e rock setentista, principalmente de bandas como Led Zeppelin e Whitesnake, que o guitarrista tanto admirava. A proposta do Badlands era praticar o lado mais sério e menos farofa do hard rock, privilegiando peso e arranjos homogeneamente.

A zepelliana “High Wire” que abre o petardo define bem a proposta do grupo: um hard pesado, com excelentes riffs de guitarra, bateria pesada e o vocal de Gillen emulando os bons tempos de Robert Plant.  A segunda faixa, a cadenciada “Dreams in the Dark” virou single do álbum, assim como “Hard Driver”, um tema rápido com excelente trabalho de bateria de Singer e altos solos de Lee;

Vale mencionar ainda “Winters Call”, que começa lenta, com dedilhados de Lee em sua guitarra limpa, amparada por vocais tranquilos de Ray. A canção muda repentinamente com a entrada da cozinha pesada de Chaisson / Singer, amparada por riffs poderosos de guitarra voltando a lembrar o grupo de Page e Plant;

“Seasons”, que é a balada do disco. Mesmo sendo mais tranquila, com o uso de violões, o grupo não dispensou a guitarra distorcida e o estilo agressivo do vocal, que fizeram com que o tema não se tornasse piegas; “Rumblin´Train”, canção fortemente influenciada pelo blues, que ganhou um contorno ao mesmo tempo pesado e cadenciado. É uma das melhores do disco, mostrando que o grupo poderia transitar facilmente por vários estilos sem perder sua identidade; e ainda “Dancing on the Edge”, uma das mais rápidas e pesadas do disco, com influência direta do N.W.O.B.H.M., mostrando todo o poder de fogo do quarteto.

Apesar de alguns destaques mencionados, o álbum mantém peso, técnica e  qualidade em todas as suas onze faixas, mostrando um grupo maduro e coeso, mesmo com pouco tempo de vida.

“Badlands” o disco, foi lançado em maio de 1989 e trouxe elementos originais em um estilo desgastado pela mídia especializada. O álbum vendeu mais de 400.000 cópias no primeiro ano de lançamento, e elevou o nome do grupo em todo o mundo, inclusive obtendo fãs de heavy metal tradicional e rock setentista

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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