Para os que respiram música assim como nós


Resenha: Behaviour (1985)

Álbum de Saga

Acessos: 106


Uma mudança de rumo à direção errada

Autor: Tiago Meneses

29/04/2020

Existe algo que ninguém pode reclamar da Saga, a banda é extremamente prolífica, e com isso, já foram mais de vinte discos lançados desde o seu debut em 1978. Mas o problema – pra mim – é que poucos discos de fato podem ser encarados como algo relevante, onde que certamente Behaviour não é um destes discos. 

A banda havia atingido um bom sucesso com os discos Worlds Apart e Heads Or Tales, e com isso, era claro que Michael Sadler iria atrás de mais popularidade. Behaviour é o sexto disco da banda e lançado em 1985, trazendo uma grande mudança – a primeira que a banda passaria – no seu som, mostrando algo mais orientado para o pop rock, inclusive, devido à popularidade atingida pelo single “What Do I Know” – bem ruim por sinal - este álbum vendeu muito bem. Mas seria o último que venderia muito, tanto nos Estados Unidos, como na Europa e demais países. Essa nova sonoridade fez com que os seus fãs mais antigos lhe virassem a cara, e o seus fãs mais novos não eram tão fieis assim. Porém, quando a banda se deu conta de que eles não podiam contar com a base de fã de power pop para apoiá-los, o estrago já havia sido causado quando Steve Negus (baterista) e Jim Gilmour (tecladista) foram informados de que não havia lugar para eles, principalmente por conta da resistência de ambos em aceitar a direção mais pop da banda. 

Tentando fazer justiça ao menos até onde eu conseguir, admito que o álbum ainda possui alguns vocais distintos de Michael Sadler, mas obviamente, através de uma sensação mais pop, com guitarras e teclados com sonoridades bem mais opacas e insossas. O som é aquela obviedade típica encontrada nos anos 80. Devido a essa mudança, a música é bastante reta, sem causar nenhum tipo de excitação e mostrar engenhosidade como as encontradas em seus discos anteriores. Ouvir esse disco agora me faz perceber o quanto que ele soa bastante datado. A gente fica na esperança que vai haver alguma explosão em algumas de suas pausas instrumentais, mas acontece que nada disso nunca chega. 

A maioria das músicas é bastante animada e eu nem me importaria com isso, problema é que nada soa natural. Até que existem algumas baladas que de certa forma ajudam a romper daquele mais do mesmo, mas até esses momentos no fim são bastante comuns e pouco para salvar o álbum de alguma forma. “You and the Night” e “(Goodbye) Once Upont a Time” são exemplos do que acabei de falar. Muito difícil é encontrar alguma emoção real nesse disco, parece que está sendo tocado por robôs. 

Saga eventualmente iria retornar ao seu lado mais progressivo de tempos em tempos, mas após esse período, não foi nenhum pouco fácil para que a banda recuperasse a sua base de fãs mais antigos. Eles nunca mais entraram nas paradas musicais novamente, exceto na Alemanha e Suiça, mas somente mais uma vez, pois mesmo lá, eles nunca mais recuperaram a sua popularidade alcançada em outrora. Mas a banda continua na estrada e isso é louvável. Agora, se você quer ouvir algo da banda, sinceramente, não escolha Behaviour, a não ser, claro, que você ame, e não apenas goste do pop/rock dos anos 80.

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


Compartilhe:

Comente: