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Resenha: Tales From An Island (2008)

Álbum de Blank Manuskript

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Rock progressivo de alta qualidade e excelentes performances

Por: Tiago Meneses

29/04/2020

Eu sempre sinto uma grande felicidade quando me deparo com uma determinada banda que mostra respeito pela era clássica do rock progressivo, mas não se limita em soar somente como uma cópia daquilo que já foi criado, mas também adiciona novos elementos que provam que ela também tem algo original a acrescentar.

A Blank Manuskript é justamente um desse tipo de banda citado, liderada por Dominik Wallner (teclados, Vocais) e Alfons Wohlmuth (baixo, flauta, vocais), logo em sua estreia em 2008, a banda assumiu o risco de apresentar um álbum conceitual chamado Tales From An Island - Impressions From Rapa Nui. Um disco claramente enraizado nas estruturas do rock progressivo sinfônico, mas que combina também vários outros elementos como o hard rock, psicodélico e até mesmo passagens jazzísticas. 

“Breath of the Island” já mostra um começo de disco no mínimo surpreendente, uma introdução quase tribal, com uma narração sóbria que consegue transportar o ouvinte para o cenário correto. ”Voyage” começa emendada na faixa inicial, nos apresenta toda uma variedade de sons e influência, um passeio que pode ir de Pink Floyd à Procol Harum, se atrevendo a até adicionar passagens jazzísticas, mas claro, sem deixar que em momento algum fique para trás aquela evidente atmosfera sinfônica, fazendo com que suas mudanças radicais sejam de forma flutuante e fantástica. 

Falar que uma banda desta costuma dar uma grande importância para o teclado não seria novidade alguma, mas é bom deixar claro que existe um equilíbrio muito grande entre todos os demais instrumentos, com um excelente trabalho de guitarra, baterias complexas e vocais que soam ótimos e de forma natural – algo que não chega a ser tão fácil de encontrar hoje em dia, época onde muitas vezes as pessoas cantam amparados por tecnologias. 

Cada faixa do disco de certa forma acaba soando de uma maneira surpreendente, porque elas mudam os seus climas em questão de segundos. Existem algumas faixas como, “The Great War”, que possui guitarras sólidas e complexas e boas harmonias vocais, além de pianos incendiários, e também a “The Cult of Birdman” que pra não me alongar muito, tem absolutamente TUDO que um amante de rock progressivo sinfônico pode querer. 

Acho que tem que haver uma menção mais do que honrosa para os vocais dramáticos e assustadores no refrão de “The Wainting”, na voz de Veronika Obermeier, algo que realmente me toca a alma e me faz pensar durante o dia todo neles todas as vezes que escuto esse disco. 

Após essa estreia, a banda também lançou Krásná Hora (2019) e The Wainting Soldier (2015) e que também possuem muita qualidade. Uma estreia extremamente sólida e que não possui nenhum tipo de ponto fraco, ou momento que nos faça enxerga-lo como uma bola fora. Recomendado para qualquer pessoa interessada em um rock progressivo de alta qualidade e excelentes performances.

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