Para os que respiram música assim como nós


Resenha: Beethoven's Last Night (2000)

Álbum de Trans-Siberian Orchestra

Acessos: 464


Uma ótima homenagem à última noite de Beethoven

Autor: Tiago Meneses

25/04/2020

Trans-Siberian Orchestra não é exatamente uma banda que estou sempre ouvindo – embora faça um tipo de som que eu gosto bastante – mas algo que é bem notável quando escutamos os seus discos é o sentimento teatral em suas músicas. 

O disco escolhido para que eu fizesse a minha primeira resenha sobre a banda aqui no site, é aquele em que certamente considero ser o seu maior feito atingido. Beethoven's Last Night é um disco conceitual em que podemos dizer que o seu enredo está bastante explícito no título. O álbum conta a história da última noite de Beethoven. Trancado no seu quarto, ele é visitado por uma bela mulher, Fate (destino) e seu filho corcunda e anão, Twist (reviravolta), e também por Mephistopheles (o tinhoso). Enquanto que Mephistopheles quer trocar suas músicas por sua alma, Fate mostra à Ludwig como foi sua vida, e lhe dá a chance de mudar o que quiser. Porém, Ludwig faz de tudo para preservar sua obra. Beethoven's Last Night inclui muitos instrumentistas hábeis, além de vários vocalistas que interpretam os papéis dos diferentes personagens. A história é interessante o suficiente, mas vale deixar claro que sem ser necessariamente inovadora. 

Com o decorrer dos anos eu já vi algumas reclamações – minhas inclusive - em relação a duração das músicas e que eu acho bastante plausível, pois em um único disco caber vinte e duas músicas, mostra que a duração média é interior a quatro minutos cada, algo bastante incomum quando falamos de rock progressivo, principalmente quando falamos de rock progressivo moderno. 

Mas se antes eu fazia coro aos tantos que reclamavam, hoje devo admitir que o aceito bem da exata maneira que foi entregue. Se antes eu achava que algumas músicas necessitavam de algo mais – tempo – para se desenvolver melhor, hoje eu percebo que a duração combina exatamente com que as músicas devem ser e com que elas querem expressar, isso de uma maneira muito rígida. Algo que é óbvio, mas nunca é demais repetir é que esse disco tem uma força maior quando apreciado como um todo. 

Devo admitir que uma coisa que me faz gostar muito desse disco é o fato de eu sempre ter admirado – quando bem feito – a mistura da música clássica com o rock. Ele é desenvolvido à moda de uma ópera rock, pois é fácil perceber que os estilos apresentados pelos vocalistas não mostram apenas cantos, mas diálogos e monólogos, tudo isso nitidamente. Embora estejamos falando de músicas completamente diferentes, Beethoven's Last Night às vezes faz lembrar um pouco ao Avantasia com o seu disco Metal Opera, mas enquanto que o segundo se concentra mais no metal, o primeiro deu uma ênfase maior na música clássica. 

Embora eu não considere que nenhuma faixa desse disco figura como sendo uma obra incrível e memorável, o disco começa e termina ótimo, o que de certa forma é um feito que não deve ser ignorado, principalmente por conta de ser vinte duas músicas, pois com isso a chance de ter uma ou duas dignas de serem puladas é grande. Não é preciso falar de cada uma das faixas, mas dizer com exemplos que a música é bastante variada, com vocais introspectivos, “This is Who You Are”, bela faixa de um ótimo piano, “Midnight”, momentos de vocais sobrepostos como em “Fate” e “Mephitopheles”, versões rock de músicas clássicas em, “Mozart / Figaro”, faixa que movem a história muito bem principalmente pela carga emocional do vocal, “Misery”, e termina o disco em uma música semelhante a uma canção de ninar, algo que faz com que o disco termine de uma maneira excelente e silenciosa, “A Final Dream”. 

Não é apenas o casamento entre o rock/metal com a música clássica que transforma esse disco em um ótimo trabalho. As composições são muito boas e todas as faixas mostram ter uma ótima estrutura. A composição estrutural em si do disco é excelente, onde apenas ouvindo o CD e sem precisar de vê o encarte já é possível de ir se atenando em todo o enredo desenvolvido. Inclusive, apesar de ser fácil acompanhar só ouvindo, se você tiver a oportunidade de ir lendo no encarte cada acontecimento, será uma grande experiência, algo como se você estivesse fazendo parte de um grupo durante uma jornada. 

Enfim, como eu já disse, esse disco não atinge nenhum pico extraordinário, mas ao mesmo tempo, em nenhum momento ele é enfraquecido por alguma faixa que tenta derrubá-lo. Não é um disco que deve ser reproduzido em segundo plano, ele requer bastante atenção em cada uma das suas muitas nuances. Uma ótima homenagem à última noite de Beethoven.

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


Compartilhe:

Comente: