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Resenha: The Hangman's Beautiful Daughter (1968)

Álbum de The Incredible String Band

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Difícil de apreciar fora do contexto do seu lançamento

Autor: Tiago Meneses

23/04/2020

Acho que alguns discos devem ser descritos de uma maneira mais direta e reta, sem necessariamente precisar desbravar detalhadamente todas as suas faixas e ainda atolar o texto com informações que fazem a “introdução” da resenha. Fiz isso poucas vezes aqui até hoje, mas acho que posso aumentar mais um pouco as resenhas nesses moldes, sejam para falar de discos que gosto ou para falar sobre aqueles que não se adequam muito ao meu gosto – caso desta publicação em específico. 

Devo admitir que este disco é daqueles que estou a tanto tempo sem ouvir, que o tempo real se perdeu e eu não sei dizer exatamente quando foi a última vez que coloquei ele pra rodar. Acontece que eu ouvi por duas vezes em grupos de redes sociais e no mesmo dia o nome dessa banda sendo comentado, e o mesmo sendo enaltecido onde ótimo era o mínimo para descrever a sua música. Decidi ouvir o terceiro disco da banda, The Hangman's Beautiful Daughter, e não demorou muito para que eu entendesse o motivo deste grupo estar a tanto tempo enterrado sem que eu ouvisse nada dele, em minha opinião a música é quase sempre chata, sem imaginação e um vocal depressivamente irritante. 

Mesmo quando a influência medieval e celta se torna aparente as coisas não parecem caminhar muito bem. Alguém aí já assistiu ao filme “E aí, meu irmão, cadê você?” É um filme com George Clooney, pergunto, pois algumas músicas do disco parece trilha sonora desse filme. 

Como é de se esperar, existem muitos elementos do final dos anos sessenta – até porque que banda não tinha isso em 1968? -, mas existe aquilo que eu chamaria de tentativa fracassada de unir música folk com psicodélica, pois em momento algum consigo sentir como algo experimental, além de que, ruídos estranhos e percussão, além de cítara e um toque dos Beatles não são suficientes para criar um álbum psicodélico – a não ser que a tentativa não tenha sido essa e eu nunca tenha entendido bem a ideia da banda. 

No geral, o disco soa como uma faixa longa, repetitiva e chata, mesmo se eu quisesse, seria desnecessário comentar sobre cada uma delas. Mas calma que ao menos ainda existem oásis nesse deserto, pois “The Minotaur's Song" tem umas boas e suaves passagens de piano e a bela "Witches Hat" com algumas passagens melancólicas de órgão também mostra algo de diferente no disco. Mas no geral, sei que muitas pessoas adoram ele por completo, mas pra mim, soa tedioso, chato, dissonante – no pior sentido da palavra – e absolutamente previsível. Não tem como sequer saber se eles são bons músicos, pois eles parecem apenas panos de fundo para os vocais altos e quase sempre terríveis. 

Se olharmos para o contexto histórico, sei exatamente o quão popular e até mesmo lendária a The Incredible String Band é no imaginário de tantas pessoas. Talvez escutar esse disco lá na época do seu lançamento tenha sido uma experiência melhor, pois conhecê-lo décadas depois, ele soa datado e é a prova de que nem todos os discos envelhecem resistindo bem a prova do tempo. Enfim, difícil de apreciar fora do contexto do seu lançamento.

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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