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Resenha: Softsword: King John And The Magna Charter (1991)

Álbum de Rick Wakeman

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Não é essencial, mas um bom complemento na discografia de Rick Wakeman

Autor: Tiago Meneses

23/04/2020

Rick Wakeman em 1991 já era a algum tempo considerado uma verdadeira lenda do rock progressivo, mas também era do conhecimento de todos que ele estava a mais de uma década com sua imagem manchada – ao menos para os amantes de música progressiva - enquanto que se enfiava cada vez mais de cabeça dentro da new age. Mas o simples nome Softsword - King John and the Magna Charter de alguma forma acendia a lembrança de todos e os faziam voltar lá para o início da carreira do mago. Não é exatamente aquele disco que nos conquista logo de cara, mas lentamente elogios foram surgindo e hoje o vejo que se tratava de um músico que perdeu o rumo de sua carreira, mas estava disposto a recuperar o respeito de muito dos seus fãs que a essa altura o haviam abandonado.

“Magna Charter” é a faixa de abertura e também o épico do disco. A faixa lembra claramente The Myths And Legends Of King Arthur And The Knights Of The Round Table, toda aquela sonoridade explosiva parece estar de volta na música de Wakeman. A faixa é bastante sólida, apesar dos vocais meio ruins – mas convenhamos que muitas vezes Wakeman não parecia escolher bem seus vocalistas – e da percussão programada. A faixa apresenta algumas mudanças excelentes de andamento e uma atmosfera que fazem desta faixa um ponto de partida melhor que o esperado por qualquer um na época. 

“After Prayers” é uma música que desempolga o ouvinte após um começo claramente promissor. Ela soa como se alguém estivesse tentando adicionar arranjos sinfônicos em uma balada simples e quadrada. Um ponto fraquíssimo no disco. 

“Battle Sonata” faz com que lembremos do som de “White Rock”. Apesar de não ser necessariamente ruim, é uma busca bastante carregada de uma seleção de sons bregas no teclado. Mas apesar disso, tenho que salientar que a performance de Wakeman é capaz de nos fazer esquecer ou ignorar tudo isso. 

“The Siege” é uma boa mudança no disco, a introdução feita em uma guitarra distorcida é bastante interessante. Mas a música de certa forma fica meio brega novamente e de novo por conta da escolha de alguns sons de teclado, sendo que com isso começa a ficar meio desinteressante. Mas como a música não acabou, um som de órgão e riffs pesados de guitarra fazem tudo melhorar, outra boa faixa, apesar dos seus momentos desiguais. 

“Rochester College” é uma bela faixa instrumental e de atmosfera onírica que lembra novamente a The Myths And Legends, pra ser – ou tentar – mais preciso ainda, a música “Arthur”. Desta vez Wakeman escolhe os sons do teclado de uma maneira perfeita, mais uma faixa bastante agradável. 

“The Story Of Love (King John)” é aquele tipo de música terrível, repetitiva e absolutamente desinteressante do começo ao fim, não sei pra quer gravam isso. Completamente sem inspiração e um preenchimento desnecessário. Até que ainda tem uma bela guitarra, mas é muito pouco para que a salve do desperdício de tempo total. 

“March Of Time” mostra que Rick Wakeman parece criar essas músicas insossas de propósito, e que tem o poder de retomar o controle do disco sempre que quiser. Uma faixa pomposa e sólida, Wakeman deve saber o quanto ele é bom em músicas mais exageradas, digamos assim, e com isso deveria evitar compor baladas chatas, pois não é exatamente isso que seus fãs esperam dele, bom, pelo menos não é o que eu espero. 

“Don’t Fly Away” vai de encontro com a minha reclamação que fiz mais acima sobre baladas, sinceramente, eu não vejo razão alguma pra que o botão de pular a faixa não seja apertado sempre que esse momento chegar, extremamente brega e completamente esquecível. Pior momento do disco sem dúvida alguma. 

“Isabella” é uma faixa instrumental muito boa e suave, desenvolvida em um tempo lento pra médio, mas realmente bastante interessante. Ainda acho que seria perfeito se tivesse cerca de um minuto a menos, pois a próxima faixa, “Softsword” com os seus pouco mais de um minuto e quarenta e cinco segundos é perfeito como uma espécie de apaziguador. 

“Hymn Of Hope” é a faixa que termina o disco de uma maneira não menos do que excelente. Wakeman prova o quão ele é versátil através do seu sintetizador e órgão, enquanto que guitarra e bateria fazem um bom trabalho. Um final excelente e dramático para um álbum infelizmente desigual. 

Bom, se você que não conhece esse disco e/ou está esperando algo tão grandioso quanto um The Six Wives Of Henry VIII, pode esquecer, pois aqui estamos diante de um disco de transição após uma década inteiramente fraca de Wakeman. É melhor que você o entenda como uma espécie de brisa de ar fresco depois dos crimes contra a música que ele cometeu nos anos 80, e que é capaz dar esperança ao fã entediado que esperava uma ressurreição de seu ídolo. Não é essencial e possui alguns momentos horríveis, mas no geral é muito bom e um bom complemento na discografia de Rick Wakeman.

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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