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Resenha: General Winter's Secret Museum (2008)

Álbum de The Tea Club

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Progressivo agressivo, feito em melodias elaboradas e de grande complexidade

Autor: Tiago Meneses

23/04/2020

Como eu já resenhei o quarto e o quinto álbum da banda, acho chegou a hora de ir lá onde tudo começou a resenhar o disco de estreia da The Tea Club. A banda como parece acontecer com a maioria das bandas estadunidenses do século XXI, mostra uma combinação de sons muito elaborada e complexa, além de diferentes atmosferas. Creio que qualquer fã de um rock progressivo mais sinfônico, ao ouvir um álbum do grupo, seu ouvido tende a ficar bastante direcionado para os teclados, mas neste disco existe um trabalho combinado de guitarra e baixo simplesmente avassalador, a banda não parece querer esconder nada ou querer deixar o melhor – teoricamente – para o final, eles simplesmente atacam de maneira voraz o ouvinte com tudo o que eles têm de melhor durante o álbum todo. Considero isso uma demonstração até meio incomum de confiança, algo que é bastante louvável inclusive. 

“Werewolf” é a faixa que abre o disco. Após uma breve introdução de guitarra, a música leva o ouvinte pra uma passagem vocal em que os cantos são feitos com certa ferocidade, algo muito bom para o momento. Possui algumas mudanças de ritmo dramáticas que vão de seções quase que metálicas até passagens suaves, onde uma melodia consegue acalmar o clima. Uma faixa excelente que abre o disco muito bem. 

“Cool Smack” já demostra uma sonoridade bastante diferente do que a faixa anterior – embora inicialmente possa não parecer – com um peso que cativa logo na primeira nota. A prova de que estamos diante de um grupo de músicos muito habilidosos é a dissonância entre os instrumentos e os vocais. Os vocais inclusive se misturam muito bem com o resto dos instrumentos para criar um som bastante sólido. Faixa muito bem elaborada. 

“Big Al” começa com uma batida simples e bastante calcada em uma pegada de classic rock, digamos assim, com um ótimo trabalho vocal e também de guitarra, mas o que parecia bastante comum acaba sofrendo algumas mudanças dramáticas e que não nos deixam esquecer que estamos diante de uma incrível banda de progressivo. A medida com que a faixa avança e se desenvolve, ela vai sofrendo uma crescente, mas sem com que haja uma explosão em apenas uma parede sônica, ela acaba sofrendo várias curtas explosões de muita força. 

“Castle Builder” antes de começar a falar dela, queria comentar que o primeiro segundo de música parece que está começando a clássica, “The House of the Rising Sun”. Inicia-se em forma de uma balada cheia de vigor e de atmosfera onírica. Flui de uma maneira suave, mas depois de um tempo nota-se que a banda voltará a crescer em uma sonoridade explosiva e espetacular. Mais uma música bastante forte. 

“Purple Chukz” é uma faixa muito boa, mas que mostra uma combinação meio estranha entre uma melodia sólida com um som dissonante, como se a banda estivesse querendo flertar com o chamado Post-Rock, sendo elaborado demais pra ser apenas um Classic Rock. O trabalho de guitarra mais uma vez é fantástico. 

“The Clincher” começa com um estilo que logo se pode perceber uma grande influência em King Crimson através de uma cacofonia controlada por uma melodia básica. A banda começa a vagar em algo que podemos chamar de space punk, até que os vocais se amenizam um pouco. Frenética do começo ao fim, a guitarra distorcida ao melhor estilo crimsoniano é ótimo. 

“Will O' The Wisp” é uma faixa que serve inicialmente como uma espécie de alívio, arranjos elaborados e algumas boas passagens, mas feitos em câmera lenta, mas como é de se esperar, depois de um tempo a complexidade retorna, mesmo quando a melodia permanece intacta, a guitarra produz um efeito extremamente me feito, novamente com um toque claro de King Crimson. 

“The Moon” começa ao violão e de maneira bastante simples, mas o excelente trabalho de vozes junto de um bonito teclado de fundo é o suficiente pra tirar essa música de uma sonoridade simples e levar o ouvinte pra uma dimensão diferente, onírica, mas sem deixar de ser intensa o suficiente para atrair a atenção do ouvinte, principalmente em suas seções mais fortes. 

“IceClok” direciona a banda para um estilo bem mais alternativo e que a princípio pode causar uma certa estranheza, fazendo de certa forma lembrar um pouco de Radiohead, mas com muito mais complexidade e de atmosfera forte que o álbum demonstrou desde o seu começo. Ainda que não seja tão boa quanto às demais, termina o disco de uma maneira digna. 

Logo em sua estreia a The Tea Club demonstrou uma sonoridade maravilhosa e digna de bandas muito mais experiência e anos de estrada. Um disco altamente recomendado para quem gosta de um rock progressivo muitas vezes agressivo e feito em melodias muito bem elaboradas e num alto nível de complexidade.

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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