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Resenha: Selvagem (2017)

Álbum de Angela Ro Ro

MPB

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Merecia produção melhor

Autor: Roberto Rillo Bíscaro

23/04/2020

Ângela Ro Ro foi apresentada ao grande público, em 1979, através de seu álbum homônimo de estreia. O fim dos 70’s trouxe copiosa safra de vozes femininas, como Zizi Possi, Fátima Guedes, Fafá de Belém, Marina, antes de ser Lima.

Mais ou menos até 1983/4, Ro Ro frequentou assiduamente paradas de sucesso e noticiosos policiais, por seus escândalos. O BRock e as subsequentes ondas comerciais de lambada, axé, sertanejo, arrocha e sabe-se lá o que mais, varreram das rádios comerciais a turma da MPB, mas Ângela continuou compondo, sendo regravada, embora tenha diminuído bastante o ritmo de lançamentos. Pouco após a virada do milênio, a carioca dexintoxicou/emagreceu; apresentou talk show; foi merecidamente homenageada por cantores da nova geração.

Há oito anos sem lançar material de estúdio inédito, a cantautora retornou no fim de 2017, com as onze faixas de Selvagem, lançado pela Biscoito Fino.

Angela Ro Ro é uma espécie de Maysa Matarazzo pós-moderna nível hard e a (re-)afirmação dessa persona é muito importante, seja reiterando mundos que vivem caindo, seja personalidade forte. Ro Ro reafirma sua independência e gênio indômito na faixa título, com sua guitarra roquinho e no xaxado Parte Com o Capeta. Sua conversão para o vegetarianismo e para valorizar o lado cheio do copo (sem ironia pretendida) é relatada na popice oitentista de Caminho do Bem. Em Maria da Penha, a zonasulista Ro Ro ataca de samba do morro para denunciar a violência doméstica, enquanto Todas As Cores volta aos calçadões da bossa ipanêmica, exaltando o amor, o sorriso e a flor. Portal do Amor é bilíngue com inglês e clima bluesy e como todo álbum típico de emepebista de sua geração, o resto é balada competente e gostosa, tipo Meu Retiro, Nenhuma Nuvem e É Simples Assim. Com boas letras e vocal ainda potente, o calcanhar de Aquiles é a produção. Por contingência estética ou orçamentária, todos os instrumentos são executados digitalmente, então, Selvagem perde um bocado de sua potencial força, porque o som sintetizado carece de profundidade. Até soa como coisa produzida nos 80’s, mas isso não é necessariamente ponto positivo. Assim, Selvagem fica mais na palavra que na ação.

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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