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Resenha: Grappling (2015)

Álbum de The Tea Club

Acessos: 92


Artistas natos demonstrando suas habilidades, criatividades e originalidades

Autor: Tiago Meneses

22/04/2020

The Tea Club ainda não é uma paixão minha de longa data – até porque a própria banda lançou o seu primeiro disco em 2008 -, mas certamente é uma das bandas que merecem os mais ferrenhos e efusivos elogios de minha parte, assim como de qualquer um que goste de um bom rock progressivo que mescla a escola clássica com a contemporânea com extrema perfeição. Em Grappling eles misturaram o seu excelente rock sinfônico com arranjos complexos e algumas belas estruturas de melodias e acordes, resumindo, eles agem naturalmente e com a tranquilidade de sempre para construir mais um disco maravilhoso e que a cada audição parece que encontramos um detalhe que havíamos deixado passar. 

“The Magnet” é a maravilhosa faixa de abertura e que em seus primeiros segundos já me faz questionar o quanto eu fico impressionado com a maturidade banda – que já parece alta desde o começo – e sempre aumenta conforme os discos vão se sucedendo. Se pegar um comparativo com o seu disco anterior, Quickly Quickly Quickly – que já resenhei aqui no site – a banda se mostra mais agressiva e musical de uma forma diferente, mas sem deixar de ser incrível. A faixa possui suas clássicas mudanças abruptas de andamento, excelentes vocais e um trabalho de bateria maravilhoso. Resumindo, uma música incrível e complexa do jeito que agrada qualquer amante de rock progressivo.

“Remember Where You Were” começa de uma maneira mais suave e atmosférica, mas à medida que a música vai avançando, ela vai crescendo em intensidade, mas sem perder a sua carga sonora sombria e misteriosa. As influências ao som 70’s são nítidas e muito interessantes, em uma mistura que fica entre o frenético do King Crimson (Lark's Tongues in Aspic) e uma linha mais pastoral visto em momentos de The Lamb Lies Down on Broadway (Genesis). Mais uma vez tudo é maravilhoso. 

“Dr. Abraham” é daquele tipo de música que entra em um grupo que me irrita um pouco, mas não por eu não gostar, mas por simplesmente não conseguir descrever. A banda surpreende com um som excessivamente pesado – para os seus padrões – e o faz com muita destreza. O som é bastante eclético e passeiam por várias direções, mas sempre bem orientado e direcionado, nunca se perdendo. 

“Fox In A Hole“ tem um começo que é difícil de não lembrar de Gentle Giant, mas com um toque moderno e uma atitude que lembra mais a banda em si. Essa banda sabe o quanto são bons e não tem receio algum de mostrar isso. Possui uma passagem vibrante na veia de Gentle Giant e as complexas seções de vocais duplos são sensacionais e impressionantes. 

“Wasp In A Wig” começa com uma sonoridade baseada em blues, mas isso somente até o segundo minuto, quando daí em diante pode se esperar muitas coisas, os trabalhos de sintetizadores e piano transportam o ouvinte pra fora do mundo terreno. O som é tão único que pensei em vários nomes de tecladistas de rock progressivo pra servir como referência, mas Reinhardt McGeddon consegue ser tão único que não tem como comparar com nada, é somente ouvir e apreciar. 

“The White Book” é a música que fecha o disco. Novamente me faz cair naquela questão de não saber como descrever exatamente a faixa. Eles se transportam de uma introdução suave de mellotron para passagens frenéticas, solos de guitarra e até corais sombrios que soam quase gregorianos. Mais do que qualquer palavra, você precisa ouvir pra assim acreditar no que estes caras estão fazendo. 

Não existe muito que dizer em umas considerações finais de um disco deste, pois a habilidade, criatividade e originalidade desses artistas – sim, não são apenas músicos, mas artistas – é incrível e deve ser reverenciada cada vez por um número maior de amantes de rock progressivo.

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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