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Resenha: Houses Of The Holy (1973)

Álbum de Led Zeppelin

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Pilar do rock

Por: Fábio Arthur

22/04/2020

Depois do álbum quatro, o Led já estava consagrado. A banda voou de forma única e comandando o cenário rock dos anos 70.

O disco chega com uma linha evolutiva fenomenal e, se outrora já eram bons, agora a banda trazia a junção de ritmos como o Reggae e Progressivo, Soul e tudo isso aliado aos tons de sempre, country, rock and roll e demais fontes musicais.

Várias faixas dessa fase foram deixadas de fora do disco e lançadas postumamente no disco de 1975. Uma delas seria a faixa título, o nome deste álbum "House of the Holy", enfim, a música é exemplar mas acabou indo para trabalho sucessor, assim como a faixa "The Rover". 

Para a arte, a banda trouxe o nome do disco e da banda, ao contrário do anterior. E, a curiosa imagem das crianças subindo na chamada "Calçada dos Gigantes" na Irlanda, é uma homenagem e até mesmo uma colagem da obra do autor Arthur C. Clarke (2001-Uma Odisseia no Espaço), sob ótica do livro O Fim da Infância, clássico trabalho. Aubrey Powell foi responsável pela execução dessa capa.

Em "House of the Holy" nós temos a essência dos músicos. Page afronta o conhecimento e passa a moldar o som do grupo, seus arranjos e melodias são demasiados bem inventivos e muito técnicos. O baterista Bonzo mostra porque era conhecido como um dos maiores da época, ele consegue inserir ritmos, viradas e também conduções de forma fenomenal e fundamental. Cada faixa tem sua personalidade musical firmada. Plant por sua vez abusou de seus agudos e por alguns momentos nem ele sabia de sua potência, pois, em determinado momento, Page alterou a rotação de faixas gravadas e assim os tons subiram um pouco, mas o vocalista aborda essas canções de forma única. Isso é um fato mesmo e não algo inventado por fãs e etc. Jonesy, o que seria do Zeppelin sem ele, o músico faz um trabalho maravilhoso no disco, seus arranjos são férteis, suas composições também. E sempre tem a mão dele nas faixas do álbum.

Nesse quinto disco o Led filmou um dos concertos e que acabou virando um vídeo completo e um long play duplo. Mas os mesmos foram lançados bem mais tarde e com mudanças enormes de produção e também de overdubs. 

O disco foi gravado na casa de Mick Jagger, uma propriedade rural e foi lançado pela Atlantic Records, o último por ela. A produção é bem intensa e o polimento do álbum é notável. 

A recepção foi ótima e trouxe a confirmação de que a banda era gigante. Inclusive um fator importante é que, nessa fase de 1973, o Zeppelin fez alguns shows com o Creedence Clearwater Revival e também foi cogitada a sua vinda ao Brasil pela primeira vez, a outra foi em 1975, o que nunca aconteceu. 

"The Song Remains the Same" é um destaque logo na abertura, paulada. "The Rain Song" é uma épica e belíssima trilha, parece realmente que o ouvinte está observando a chuva fina cair sutilmente através da janela em uma localidade rodeada de verdes com nuvens cinzas permeando todo céu. Obra intensa e uma das melhores do disco. A interpretação de Plant, juntamente com a bateria de Bonzo, ora sutil ora centrada, é fabulosa, escute a vassourinha de Jazz no lugar das baquetas comuns, soando deslizar sob a trilha, e os arranjos de Jonesy aliados as melodias de Page se tornam uma fonte fértil e um amadurecimento musical. "Over the Hills and Far Away" denota algo de country e misturada ao rock swingado, tudo de muito bom gosto. Em "The Crunge" a bateria e voz voltam a serem destaques, perfeitas. "Dancing Days" mantém a linhagem rocker do Led, e "Dye'r Maker", o Reggae tece a linha de composição, e que pegada de bateria, firme. "No Quarter" abusa com maestria do progressivo, obra fundamental do álbum também, fonte de inspiração promissora. O final com "The Ocean" fecha o disco e sua mudança de rítmica no final é divina. 

O Led acertou em cheio nesse álbum e sem medo de não agradar, pois marca uma fase de muita autoestima da banda.

Grande voo.

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