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Resenha: Sommerabend (1976)

Álbum de Novalis

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Bom disco, mas sem momentos memoráveis

Autor: Tiago Meneses

21/04/2020

A primeira vez que estive em mãos o CD Sommerabend, também era o meu primeiro contato geral com a banda alemã de rock progressivo Novalis, olhando aquela capa e vendo que se tratava de um disco de apenas três músicas, pensei que não seria uma audição fácil e que ele teria que tocar algumas vezes no meu toca CD até que eu pudesse enfim dar o meu veredito final. Mas para a minha surpresa, não foi isso que aconteceu e percebi que são três longas músicas onde de certa forma a maior parte não possui excessiva complexidade, nem reviravoltas comuns em trabalhos assim. Este é um disco de rock progressivo bastante suave no seu geral e fácil de ouvir, com um aparecimento frequente, claro, de guitarras elétricas e violões. De certa forma é fácil reconhecer certa semelhança entre o Novalis e os seus compatriotas do Eloy - ainda que o Eloy tenha uma sonoridade mais aventureira. 

“Aufbruch” é uma música instrumental belíssima e que se move em um ritmo intermediário com a repetição da guitarra e um teclado de certa forma exuberante. A linha de guitarra dessa música tem forte influência – e semelhança – com apresentadas pelo Camel em Snow Goose e soa muito bem do começo ao fim da música. Teclados e guitarras brilham, baixo e bateria apenas não compromete, mas acho que deveriam ter arriscado mais. 

“Wunderschätze” começa de uma maneira semelhante a faixa anterior, com um trabalho bastante agradável de guitarra antes dos primeiros vocais começarem por volta de um minuto. Não havia mencionado, mas os vocais são em alemão mesmo, soam muito bons, embora às vezes meio robótico. O ritmo que a música vai seguindo é bastante lento e deliberado. Por volta do quarto minuto as coisas começam a se agitar mais, mas por pouco tempo, pois logo o som acústico retorna e o padrão inicial continua. 

“Sommerabend” com os seus pouco mais de dezoito minutos é a faixa que finaliza o disco. Começa com uma batida lenta, sonoridades espaciais e teclados serenos. As coisas se desenvolvem devagar, algo que eu acho de certa forma meio maçante. A faixa possui uma variável de séries de passagens serenas e outras com um balanço maior, digamos assim, mas sempre flutua pacificamente e sem algum tipo de surpresa. Essa música eu admito que demorou para funcionar comigo e até hoje é o momento de menos inspiração no disco, mas ainda assim uma boa faixa. 

Não tem como eu fugir de que Sommerabend é um disco muitas vezes unidimensional, como se uma boa música se arrastasse, mas nada demais acontecesse. Se você for um ouvinte de progressivo que se contenta apenas com composições inovadoras, esse disco certamente vai desapontar você. Eu particularmente de fato esperava mais, acho que a banda foi boa em criar um clima muito agradável para aqueles que querem apenas relaxar e desfrutar de um progressivo melódico. O título do álbum traduzido é “noite de verão” e de certa forma a música transmitiu bem essa estética. Não digo que se trata de um disco essencial em uma coleção de rock progressivo, mas é um bom registro e vale a aquisição.

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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