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Resenha: The New Abnormal (2020)

Álbum de The Strokes

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Julio Casablancas precisa urgente de um caldo de mocotó

Autor: Marcel Z. Dio

21/04/2020

Sem aprofundamento ou amores pelo The Strokes, porem, curioso pelo novo disco. Senti falta deles pelo som sincero e descomplicado, afinal, foram eternos sete anos sem um mísero trabalho em estúdio. Repito que não farei comparações a álbuns anteriores por puro desconhecimento, já que, a grosso modo conheço a parte que cabe aos sucessos via MTV.

Em um universo empesteado de bandas malabaristas e via de regra querendo mostrar serviço com melodias intricadas e "musicalidade" questionável, de certa forma engessada ou mecânica, o The Strokes vem a ser um prato saboroso de simplicidade.
Melodias retas, baixo oriundo do punk - por marcar notas e guitarra extraída dos anos 80, fazem rodar a alegria dos que estão saturados de técnica vs técnica. A voz de Julio Casablancas não é um primor, e nem precisa, pois tem a identidade dos Strokes.
Quanto ao disco, ele não segue os atributos acima, abandonando o lado selvagem no modo deles, para emergir entre o moderno ou beber uma dose de Coldplay. O exemplo bom fica com Eternal Summer, ótima faixa com alguns teclados prazerosos na linha de Talk Talk ou Section 25 - a bola dentro, juntamente com Why Are Sundays So Depressing.

A abertura com The Adults Are Talking abrevia a norma usada, acordes e baixo num seguimento paralelo e um vocal preguiçoso. É uma cópia de algum hit que ouvi deles (tentando lembrar) menos pungente e mal escolhida para abrir o álbum. Sempre teimo com os grupos nesse sentido, pois tirando registros conceituais, as faixas devem ter uma sequencia que contrabalanceiem as expectativas, e a primeira é sempre um convite, tem que ser forte e agitada. Esses caras tem que aprender a vender o peixe, tal como o vendedor de discos que colocava sempre a melhor trilha para quem fosse levar o produto, se o resto fosse uma porcaria, o azar era do comprador. Nesse caso até perdoo, pois o estoque é minguado.

A mornura de Selfless transita entre a psicodelia inofensiva e o pop pasteurizado. Não tem gosto de sal nem açúcar.
Brooklyn Bridge To Chorus é a confluência de um tecladinho vigarista com Casablanca bancando o Billie Joe do Green Day. Aparenta que os caras estavam com preguiça e fizeram algo forçado, tipo : -" Ah, vamos emendar qualquer coisa pra encher o disco, a gravadora está na cola, tem que ser rápido".

Bad Decisions decreta que o Strokes tem que acabar ou mudar a receita, essa injeção de rock mediano não faz mais efeito, nem sentido.
O teclado em At The Door, extrai os chatos experimentos de Isao Tomita, mudando a textura do meio a diante, com boas intenções, quando se torna atmosférica e progressiva.

E a sonolência encontra o cobertor em Not The Same Anymore e acha um brilho em Why Are Sundays So Depressing - com batidas legais de bateria, instrumental com groove e estrutura mais orgânica, apesar dos barulhinhos inoperantes de guitarra. O disco é fechado com a depressiva Ode To The Mets.

A critica especializada e chapa branca, amou o disco. Como não faço parte dessa patota, minha conclusão é que The New Abnormal é fraco, e que Julio Casablancas tem que segurar naquela cerca do Jurassic Park para tomar um choque de 11 mil volts e sair da letargia.
No interior a gente usava a frase : "Ou caga ou sai da moita", bem aplicada nesse caso, um caso curioso de quem tenta ser o Tame Impala com o carisma do Radiohead.
Sinto pena dos fãs que esperaram sete anos para ouvir algo tão capenga.

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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