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Resenha: American Soldier (2009)

Álbum de Queensryche

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Novos elementos musicais em ótimo álbum

Autor: Márcio Chagas

19/04/2020

É inegável que o Queensryche é constantemente comparado com seus trabalhos mais bem sucedidos como “Operation Mindcrime” e “Empire”. Há uma pressão tanto de crítica quanto de público para que o grupo retorne à sonoridade prog metal de seus primeiros álbuns.

Porém, muitos se esquecem de que a banda passou por muitas mudanças desde o inicio dos anos 90 e quem gosta do Queensryche sabe que o grupo nunca mais foi o mesmo após a saída do guitarrista, compositor e fundador Chris DeGarmo. Levando em consideração todas essas mudanças, é praticamente impossível exigir que o grupo retorne à sonoridade de outrora.  

Em 2009 o Queensryche havia perdido seu segundo guitarrista Mike Stone, e resolveram gravar seu 11º álbum de estúdio como um quarteto, tendo apenas Michael Wilton nas seis cordas;

O então vocalista Geoff Tate se reuniu com o produtor Jason Slater e juntos tiveram a ideia de criar um álbum conceitual, com relatos de experiências de vários militares que serviram nas forças armadas americanas. Para conseguir inspiração, Tate entrevistou vários ex-militares que participaram dos mais diversos conflitos internacionais, da segunda guerra mundial até a guerra do Iraque, inclusive conversando com seu próprio pai, veterano do Vietnã. 

 Munido de várias histórias, a dupla compôs a maior parte do álbum, que teve pequenas colaborações dos demais integrantes e do ex-membro e engenheiro de som Kelly Gray.

Embora “American Soldier” seja conceitual, não espere um trabalho rebuscado como no citado “Operation...”. A banda optou por um som mais simples e direto, com camadas de guitarras sobrepostas e bateria pesada, sem a adição de elementos progressivos,  como se percebe de cara na faixa “Silver”, com influência direta de rock alternativo em sua base. De cara, também se nota que o guitarrista Wilton está trabalhando melhor sozinho, resgatando a sonoridade antiga da banda nos timbres de seu instrumento. Aliás todo o grupo se mostra bastante coeso, tocando com uma unidade que não se via há muitos anos!

Outros destaques do álbum são: A pesada “Unafraid”, que o grupo teve a ideia de inserir relatos dos veteranos como parte dos versos da canção, e que ainda mostra um refrão potente aliado a um dos solos mais bonitos de guitarra já compostos por Wilton; A Climática “At 30,000  Ft”, uma faixa que parece saída das sessões do “Empire”, com um excelente trabalho de vocais de Tate; 

A quase balada “If I Were King”, que cresce no decorrer de sua audição, destacando o trabalho de toda a banda; e ainda “The Killer”, com seu andamento de bateria sincopado, quase militar e  arranjo de guitarras dobradas de Michael Wilton que faz outro solo fenomenal. Já falei que ele está tocando demais neste disco? Então! 

Mas se você quer ouvir influências do velho Queensryche, sugiro conferir “A Dead Man´s Words” e “Man Down”. A primeira resgata o lado progressivo da banda, alternando passagens melódicas com outras mais agressivas e ao mesmo tempo cadenciadas. Na segunda, o grupo consegue aliar peso e melodia de maneira homogênea, como fazia anteriormente, sempre com base firme e eficiente. 

“American Soldier” foi lançado em março de 2009 é um ótimo disco do Queensryche, mostrando que o grupo ainda tinha muito a oferecer em termos de sonoridade, seja utilizando elementos de rock progressivo e criando discos complexos, seja utilizando usando elementos mais simples e diretos como no caso deste álbum. O único erro é compará-lo com os clássicos gravados pela banda, que utiliza novos elementos e nova concepção de criação de músicas e arranjos.

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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