Para os que respiram música assim como nós


Resenha: Celeste (1976)

Álbum de Celeste

Acessos: 198


Sensação de frescor e clareza em um disco de músicas suaves e bem organizadas

Por: Tiago Meneses

19/04/2020

Assim como acontece com a Quella Vecchia Locanda ou com o disco Forse Le Lucciole Non Si Amano Più da Locanda Delle Fate, a Celeste apresenta uma música progressiva bastante melodiosa, mas ainda mais suave que as citadas. Pra um exemplo mais fácil, pense você em uma tarde ensolarada deitado em uma rede, num caminhar por um pasto sob o sol da primavera, balançando as pernas em um riacho balbuciante, pense em você deitado em frente uma lareira quente em uma noite de outono, enfim, essa música flui suavemente através de você e sobre você, e consegue ficar mais bonita em alguns lugares e situações. Em poucas palavras, este definitivamente não é um disco de rock progressivo italiano convencional, mas um disco para ouvir no final de um dia difícil.

“Principe Di Giorno” tem um começo – e brincando com o nome da banda – quase celestial através do uso de mellotron bastante relaxante que logo ganha a companhia de violão e flauta. A faixa possui vocal e letras agradáveis inspiradas em contos de fadas. Eu recomendo você ouvir esse som na hora de ir dormir, coloque seus fones de ouvidos e deixe que bons pensamentos fluam. 

“Favole Antiche” é a faixa mais longa do disco, mas não é necessariamente muito longa, pouco mais de oito minutos. Vocal requintado, suave e profundo unido a baixo, mellotron, flauta e percussão que criam uma sensação quase medieval. Bastante melódica, mas não tão tradicional, sendo esta uma das surpresas em relação às músicas da banda. Então que o som é aplacado por um silêncio que é interrompido apenas por vozes e leves toques de violão, flauta e xilofone. Um órgão de igreja coloca mais potência novamente na música. 

“Eftus” quando começa, logo podemos perceber algumas influências em Jethro Tull, e digo isso antes mesmo dos primeiros toques de flauta, a forma do vocal e o violão já parece ter essa reminiscência. Mas apos alguns segundos isso desaparece. A flauta é o instrumento mais aparente durante a música, mas sem exageros ou excessos que poderiam deixa-la entediante. 

“Giochi Nella Notte” é a outra música do disco que também passa dos oito minutos. Provavelmente está seja a música mais progressiva do álbum. Dá pra perceber isso principalmente a partir do seu segundo minuto. Saxofone, violão, bateria e mellotron com uma flauta mais a frente, tudo extremamente bem executado. Um dos melhores momentos do disco. 

“La Grande Isola” como manda o figurino, novamente à música começa de maneira doce e delicada apenas com violão e um vocal suave. Outra música bastante inspirada, com um notável solo de sintetizador no final. 

“La Danza Del Fato” é uma música mais curta com menos de quatro minutos, mas que segue a mesma linha de todas as faixas anteriores. Primeiramente uma marcação de prato e um excelente piano controlam o ritmo, então que uma flauta se junta eles antes dos vocais - novamente amenos - entrarem na faixa. 

“L'imbroglio” com os seus poucos mais de um minuto encerra o disco. Não existe um exemplo melhor de cereja do bolo, um esboço quase medieval que finaliza o álbum com alguns ventos uivantes renascentistas. 

Ao mesmo momento em que é um rock progressivo italiano habitual, também temos aqui um registro bastante singular, que foge do tecnicismo usual e prefere seguir por linhas instrumentais mais melódicas e menos intrincadas. Não existe nada nesse disco que me faça tirar o seu selo de uma verdadeira obra-prima do rock progressiva da terra da bota, nem mesmo o fato dele não seguir exatamente a formula que se espera dele.

As publicações de textos e vídeos no site do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do respectivo autor


Compartilhar

Comentar via Facebook

IMPORTANTE: Comentários agressivos serão removidos. Comente, opine, concorde e/ou discorde educadamente.
Lembre-se que o site do 80 Minutos é um espaço gratuito e aberto para que o autor possa dar a sua opinião. E você tem total liberdade para fazer o mesmo, desde que seja de maneira respeitosa.